Psicólogo Anderson Flávio Batista: A Complexidade do divórcio

Uma pesquisa do IBGE em 2024 mostrou que o número de divórcios é significativo no Brasil. Houve cerca de 428.301 divórcios.

Separações sempre terão consequências para os cônjuges como para os filhos e até a família parental. O divórcio inevitavelmente envolve um trabalho de luto, porque tem perdas no processo.

Um dos problemas do divórcio é ter de lidar com a desilusão, isto é, o cônjuge não era o que foi idealizado. Depois de tanto esforço e tentativa de imposição para que o seu cônjuge fosse o que você idealizou e ter de se deparar com o fato de que é o oposto, choca.

O divórcio gera feridas. Ferida do desamor, ferida do ressentimento, ferida da injustiça, ferida da vingança., ferida do abandono.

O casamento tem necessariamente corresponsabilidade. A ideia de que o outro é o culpado não se sustenta como verdadeira por muito tempo. Se ambos não se nutriram na relação amorosa, ela vai entrar numa derrocada. A partir do momento que decidiram dividir a vida, a corresponsabilidade passa a fazer parte inerente e ativa do casal.

A perda de identidade no casamento, isto é, a perda de qual é o papel de cada cônjuge nessa junção complexa, faz com que o divórcio comece a ser uma possibilidade. Frases como: ‘’ eu não me reconheço’’ ‘’ não sei mais quem sou’’ são frequentes no consultório clínico.

Quando o amor deixa de ser cultuado, o divórcio encontra brecha e pode virar uma realidade. Os desdobramentos do divórcio são doloridos, muitas vezes carregados de mágoa, abandono e sentimento de traição.

Uma coisa muito interessante no divórcio é observar que o ressentido não admite suas falhas. Se coloca como vítima e isso piora muito todas as tratativas sendo conduzidas muitas vezes com intolerância, agressividade e revanchismo.

A ruptura da vida a dois demanda um cuidado, pois cada cônjuge com suas subjetividades terá de passar por um luto. Dr. Gottman, um psicólogo que estuda divórcio diz: Quando o desprezo começa a dominar seu relacionamento, você tende a esquecer completamente as qualidades positivas do seu parceiro, pelo menos quando você está chateado. Você não consegue lembrar de nenhuma qualidade ou ato positivo. Essa decadência imediata da admiração é uma razão importante pela qual o desprezo deve ser proibido nas relações conjugais.

Pense nisso!

*Anderson Flávio Batista. Psicólogo (CRP 06/149648 SP), escreve como colaborador no Jornal Cotia Agora. Instagram: @andersonflaviopsi