Setembro Verde alerta para 38 mil pessoas à espera de córnea
O Brasil tem quase 38 mil pessoas à espera de um transplante de córnea, número que cresceu 24% em apenas seis meses, segundo o CBO – Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
O dado chama atenção durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, e reforça a necessidade de ampliar a informação sobre a doação de córneas e seu impacto para pacientes que aguardam a recuperação da visão.
A córnea é uma estrutura transparente localizada na parte anterior do olho e desempenha um papel fundamental na qualidade da visão. Quando esse tecido sofre danos que não podem ser corrigidos por tratamentos convencionais, o transplante pode ser indicado.
“A córnea, tecido transparente e protetor localizado na parte anterior do globo ocular, desempenha um papel crucial na qualidade da visão. Quando a córnea se torna opaca ou sofre danos que não podem ser corrigidos por meio de tratamentos médicos convencionais, o transplante se torna uma opção”, afirma o oftalmologista Dr. Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá.
Quando o transplante de córnea pode ser necessário?
Diferentes condições podem comprometer a transparência ou a estrutura da córnea e provocar alterações importantes na visão. Segundo o especialista, doenças oculares, traumas e infecções estão entre as situações que podem resultar em danos permanentes.
“Doenças oculares, lesões traumáticas ou infecções são algumas das causas que podem resultar em danos irreversíveis a esse tecido fundamental”, explica Dr. Antônio Sardinha.
O transplante consiste na substituição da córnea comprometida por tecido saudável proveniente de um doador. Dependendo do problema apresentado pelo paciente e do comprometimento visual, o procedimento pode proporcionar uma recuperação significativa da visão e contribuir para a retomada de atividades do cotidiano.
Apesar dos avanços na oftalmologia e nas técnicas utilizadas nos transplantes, a quantidade de pessoas que aguardam pelo procedimento ainda representa um desafio. O crescimento de 24% da fila em seis meses evidencia a importância não apenas da disponibilidade de tecidos para transplante, mas também de uma estrutura capaz de identificar potenciais doadores e conversar com suas famílias.
De acordo com Dr. Sardinha, um dos obstáculos está justamente nesse momento de abordagem.
“A falta de profissionais disponíveis no momento em que a família está presente junto ao ente querido, possível doador, para entrevistar e solicitar a doação para transplantes resulta em longas listas de espera e, em alguns casos, a perda irreversível da visão para aqueles que aguardam uma doação”, ressalta.
Informação também pode ajudar a reduzir a espera
A doação de córneas pode beneficiar pacientes que apresentam doenças ou lesões graves e dependem do transplante para recuperar a função visual. Por isso, ampliar o conhecimento da população sobre o tema também faz parte do esforço para aumentar a disponibilidade de tecidos.
O Setembro Verde funciona como uma oportunidade para colocar essa conversa dentro das famílias e esclarecer dúvidas relacionadas à doação. Quanto maior o acesso à informação, maior também a possibilidade de que familiares conheçam previamente a vontade de uma pessoa em ser doadora. Com quase 38 mil brasileiros atualmente na fila, a campanha reforça que a doação de órgãos e tecidos não se limita aos grandes transplantes frequentemente lembrados pela população.
No caso das córneas, uma decisão pode representar para quem espera a possibilidade de recuperar a visão e retomar sua autonomia.
Por Roberta Nuñez – iG Saúde
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