Gasolina sem etanol pode voltar aos postos brasileiros

Projetos discutem a oferta de gasolina E0 e E10 como alternativa para carros antigos, importados e outros veículos não preparados para maiores concentrações de etanol

A gasolina sem etanol pode voltar a ganhar espaço nos postos brasileiros. Três propostas em discussão no Congresso tratam da oferta de gasolina E0, totalmente livre de etanol, ou E10, com apenas 10% do biocombustível.

O debate ganhou força após a gasolina comum e aditivada passar temporariamente de 30% para 32% de etanol anidro em 1º de agosto de 2026. A medida vale inicialmente por 180 dias, enquanto a legislação brasileira permite que a mistura alcance até 35%, desde que exista viabilidade técnica comprovada.

A preocupação está principalmente nos veículos antigos e modelos não flex. Carburadores, tanques metálicos, mangueiras, juntas e outros componentes de determinados veículos foram desenvolvidos quando a gasolina brasileira tinha características diferentes.

Isso não significa, entretanto, que a E32 provoque problemas em todos os carros antigos. O governo afirma que testes realizados antes da adoção da nova mistura não encontraram impactos relevantes no desempenho e na dirigibilidade dos veículos avaliados.

Três propostas discutem gasolina E0 e E10
Uma das iniciativas é o PL 4.783/2026, do deputado Fernando Máximo (PL-RO). O projeto pretende garantir a comercialização de gasolina sem etanol para atender, principalmente, veículos de interesse histórico e automóveis não preparados para biocombustíveis. Atualmente, a proposta ainda aguarda despacho na Câmara.

No Senado, a Sugestão Legislativa 30/2026 nasceu de uma ideia apresentada no portal e-Cidadania, que recebeu mais de 24 mil apoios. A proposta prevê a oferta opcional das gasolinas E0 e E10, mantendo as formulações convencionais disponíveis aos demais consumidores.

Já o PLP 249/2026, do deputado Messias Donato (União-ES), propõe uma solução regional. Estados e Distrito Federal poderiam permitir a comercialização facultativa de E0 e E10 conforme a demanda local.

Gasolina E32 não deixaria de existir
Nenhuma dessas propostas significa o fim da gasolina E32. A intenção é criar uma alternativa de abastecimento para veículos que necessitem ou possam se beneficiar de combustíveis com menor concentração de etanol.

Também não significa que a gasolina pura chegaria rapidamente aos postos. Mesmo com eventual aprovação, seriam necessárias regras de qualidade, distribuição e armazenamento, além de infraestrutura específica para evitar a mistura dos produtos.

Outro ponto é o preço. A E0 poderia custar mais, já que utilizaria integralmente gasolina derivada do petróleo e teria uma cadeia de distribuição própria, possivelmente com menor escala.

Portanto, a discussão coloca duas estratégias lado a lado. Enquanto o Brasil amplia a participação do etanol na gasolina convencional, o Congresso avalia criar alternativas para uma parcela específica da frota.

Por enquanto, E0 e E10 continuam apenas como propostas em tramitação.

Por Michael W. Faquiano – Mundo do Automóvel para PCD
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