Psicólogo Anderson Flávio Batista: A psicologia do voto

Vivemos um tempo de desindividuação. Grupos podem passar a formar as nossas opiniões. Partidos políticos, grupo de ativistas, influencers e até mesmo as redes sociais podem ter uma influência muito grande sobre os comportamentos e as emoções de um sujeito.

Perceba que noticiários, discursos produzem um certo contágio social nas pessoas. Isso ajuda as pessoas a produzirem padrões de conduta sobre o que é aceitável e condenável. Temos códigos de conduta coletiva e isso vai gerando uma consciência cívica. Mas isso não é sinônimo de ser acrítico.
Um dos maiores critérios para a eleição do dia 04 de outubro de 2026 é a CONSCIÊNCIA. Ter ciência implica ter conhecimento de algo. Perceba que não é puramente subjetivo. Precisamos depurar a nossa percepção. Analisar os fatos, afastar as fake news, se debruçar para conhecer minimamente os candidatos.

A presidência é o cargo máximo da nação. Somos responsáveis por quem irá ocupar esse lugar. Também votaremos para governador, quem vai gerir o estado pelos próximos quatro anos. Votaremos para deputado estadual e federal que tem um papel de legislar. Então pense em que você irá colocar para sugerir projetos de lei. Isso é extremamente sério. Votaremos em dois senadores que serão os representantes do seu estado em Brasília. Um senador tem funções muito delicadas como: fiscalizar o governo, sabatinar os indicados ao STF a mais alta corte do país. Analisar os projetos de leis, verificar crimes de responsabilidade, além do fato de que o mandato de senador é de oito anos.

Negociar o seu voto por um prato de lentilha é um contrassenso. O voto é um mecanismo de participação ativa dentro de um estado democrático de direito. Isso não é uma coisa qualquer e muito menos algo que não serve para nada. O voto é a síntese da nossa participação coletiva no construto do cuidado com a polis (cidade-estado) e das conveniências sociais basais que normatizam comportamentos que contemplem a convivência pacífica.

Não é bonito e muito menos motivo de qualquer orgulho a ignorância. Ignorância aqui no sentido de desconhecimento. Num mundo globalizado como o nosso e que as informações estão a distância de um clique, é importante rever o comportamento de desdém com um dos maiores atos cívicos, a saber, o voto.

Muito cuidado com os atalhos cognitivos que usamos como: lembrar da experiência anterior de como votou, a sua identificação partidária, posicionamentos que considera confiáveis etc. isso não é suficiente para lhe dar ferramentas de análise em como votar. É importante uma análise atual, conhecer as intenções dos candidatos, o que o partido dele defende.

É importante analisar a sua identificação com o candidato se ela é muito enviesada e isso determine tudo. Por exemplo, vou votar no fulano porque é evangélico. Vou votar no sicrano porque defende a pauta LGBTQIA+. Vou votar no beltrano porque é da minha terra natal etc.

No domingo, vote com CONSCIÊNCIA apurada.

*Anderson Flávio Batista. Psicólogo (CRP 06/149648 SP), escreve como colaborador no Jornal Cotia Agora. Instagram: @andersonflaviopsi