Delegado seccional defende a união entre as forças policiais da região
Segundo Sebastião de Paiva Neto, atuação integrada é a principal arma no combate à criminalidade.
Uma ação integrada entre as polícias Civil e Militar e as guardas municipais é defendida pelo delegado seccional de Carapicuíba, Sebastião de Paiva Neto, como a melhor forma de atuação no combate à criminalidade.
“Essa união é muito boa e salutar. Claro que cada um exerce sua missão institucional mas, quando temos essa interação, quem ganha é a população”, afirmou o delegado, que foi recebido em almoço no jornal Diário da Região, evento que também reuniu outras autoridades policiais.
Nessa entrevista, ele também aborda temas como a superlotação das cadeias públicas e a redução da maioridade penal.
Quando o senhor ingressou na Polícia Civil e qual a sua trajetória até chegar a Seccional de Carapicuíba?
São quase 30 anos de Polícia Civil. Comecei no interior, depois comandei algumas unidades na Grande São Paulo e retornei para o interior. Já na segunda volta a São Paulo atuei em diversos departamentos na região do Demacro e fiquei por quase um ano como titular em Cotia, além de 11 meses em Barueri. Em seguida, fui para o DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), em São Paulo, onde fiquei por dois anos, até que fui nomeado delegado seccional de Carapicuíba.
A Seccional abrange oito municípios, 22 delegacias e três cadeias. Como é encarar esse desafio?
São quase 1,5 milhão de habitantes e 850 quilômetros quadrados de área compreendidos pela Seccional. Então, é uma responsabilidade muito grande, pois Carapicuíba é uma das maiores Seccionais e uma das mais trabalhosas também. Mas, com o empenho e dedicação dos policiais, estamos conseguindo desenvolver um bom trabalho e mostrar bons resultados para a população.
Como o senhor avalia a situação das cadeias existentes na área da Seccional: Carapicuíba, Cotia e Cadeia Feminina de Itapevi?
Nossas cadeias não diferem das demais. Elas são precárias. Já foi tentada a desativação, mas, como ainda não conseguimos a inclusão direta dos nossos presos para os CDPs (Centro de Detenção Provisória), pois todos estão lotados, temos tentado administrar a situação. Quando elas vão chegando próximo do limite estabelecido judicialmente, solicitamos a transferência e removemos os presos. Geralmente, as cadeias femininas são um pouco mais cuidadas, já que isso é bem próprio da mulher, mas ela também está em lotação quase máxima. Hoje, a unidade de Carapicuíba abriga 156 detentos, Cotia tem 118 presos e a feminina de Itapevi, 59 mulheres.
O senhor está há seis meses no cargo. Quais foram os principais desafios nesse período e quais as metas no comando da Seccional de Carapicuíba?
O maior desafio que enfrentamos, não somente eu, mas todos os meus colegas, é referente à carência de recursos humanos. É graças ao empenho e dedicação dos policiais que conseguimos desempenhar um trabalho muito bom e digno aos moradores da área da Seccional de Carapicuíba. Como metas, nós queremos diminuir, ainda mais, os índices de roubo e, para isso, contamos com a ajuda da Polícia Militar e das Guardas Municipais.
Dos oito municípios que estão na área da Seccional, existe algum que apresenta um maior índice de criminalidade?
Os índices maiores são em Carapicuíba, na região do 1º Distrito Policial, que é a nossa maior área. Recentemente, fizemos uma grande operação nessa região, em frente ao Fórum, onde foram realizadas diversas prisões, apreensão de drogas e captura de procurados. A Polícia Militar também tem realizado um trabalho neste sentido. Então, acredito que vamos conseguir um resultado bom em pouco tempo. Mas, para se ter uma ideia, entre janeiro e maio deste ano, nossa Seccional apresentou os seguintes números: 961 carros roubados recuperados; 1.715 prisões, sendo 1.469 em flagrante; 718 prisões por mandados da Justiça e 193 apreensões de menores em flagrante. Também foram apreendidas 208 armas de fogo. Esses números mostram que a polícia tem trabalhado muito na nossa região.
Os casos de roubos a transeuntes e a comércios ainda são os de maior incidência na região?
Na realidade, o roubo a transeunte está um pouco alto. Essa é uma preocupação minha e do coronel Ernesto Puglia, do CPA/M-8. Temos trabalhado no sentido de alocar os policiais militares em locais onde existe grande incidência e a polícia civil na investigação, para tentar desbaratar esses criminosos.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, Carapicuíba registra aumento no número de roubos de carga. Existe alguma medida especial para reduzir esses números?
A Polícia Civil como um todo tem atuado muito neste sentido. Recentemente, participamos de uma operação com o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), denominada Roubo de Carga, na região do Rodoanel e da rodovia Castelo Branco. Elas têm apresentado bons resultados nas investigações que estão desenvolvendo. Além disso, temos nossos setores especializados, que têm investigado para descobrir criminosos que atuam na nossa região.
Como está o trabalho de combate ao tráfico de drogas?
A DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) e outras delegacias da nossa unidade têm realizado diversas apreensões de drogas e a prisão de muitos traficantes que agem em biqueiras da região. Então, o combate tem sido incessante. Quase que diariamente nossas equipe e unidades têm conseguido autuar, em flagrante, essas pessoas e esclarecer casos na sequência. Mas essa questão é um assunto muito complexo, pois começa desde a educação em casa e a formação escolar, que pode tirar essas pessoas desse caminho. Já o combate envolve o trabalho de prevenção da Polícia Militar e de investigação da Polícia Civil, para identificar essas quadrilhas de traficantes. Para se ter uma ideia, de janeiro até o final de maio já apreendemos 713 quilos de maconha, 116 quilos de cocaína e 8 quilos de crack.
Como senhor vê o debate entorno da redução da maioridade penal. O senhor é a favor ou contra?
A redução é importante para retirar esses iniciantes a marginais das ruas, que têm cometido crimes gravíssimos. Acho que não se pode justificar a falta de prisões para que essa norma não seja aprovada. Acredito que um jovem de 16 anos é completamente capaz de compreender o que ele está fazendo, então, acho que essa medida é muito salutar.
A importância da integração entre as polícias
Ao lado do delegado seccional de Carapicuíba, Sebastião de Paiva Neto, foram recebidas em almoço, no Diário da Região, outras autoridades de segurança pública. Elas também defenderam o trabalho integrado entre as polícias.
Mauro Guimarães Soares – Delegado Seccional de Osasco
“Essa interação tem que ocorrer no país inteiro. Em Osasco, temos uma situação bem confortável. A maioria dos policiais civis e militares já está na cidade há bastante tempo. É um trabalho difícil, mas os índices estão controlados e poder contar com o auxilio da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal é salutar e sempre facilita”.
Coronel Ernesto Puglia Neto – Comandante do CPA/M-8
“A interação entre a Polícia Militar e Polícia Civil é imprescindível e, sem ela, não temos como trabalhar. O fato dos índices criminais nas Seccionais de Osasco e Carapicuíba estarem controlados e com tendência a queda é resultado dessa integração. Também temos realizado um trabalho de aproximação muito grande com a Guarda Municipal”.
Tenente-coronel Américo Massaki Higuti – Comandante do 20º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana
“A interação é importante também para a economia de recursos. Há uma estruturação e uma organização recentes na qual conseguimos que viaturas sejam rapidamente disponibilizadas ao policiamento. Além disso, onde existe uma mancha criminal, realizamos operações conjuntas e integradas.”
Tenente-coronel Antônio Carlos da Silva – Comandante do 33º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana
“Tenho certeza que a integração é de suma importância, porque ela otimiza nossas ações. Vejo o trabalho integrado como algo importante também para a comunidade. E ela é plenamente possível, seja pela integração por meio de operações conjuntas ou das informações compartilhadas”.
Por Vanessa Dainesi – Webdiario – Foto: Jornal da Gente
