China deve enviar ursos pandas ao Brasil e destino pode ser Cotia
Era para ser um dos pontos altos da visita de Estado do presidente da China, Xi Jinping, a Brasília na quarta-feira (20), mas a falta de verbas atrapalhou. Os dois governos acertaram o envio ao País de um casal de pandas gigantes, animal símbolo da China.
A prática tem raízes milenares na diplomacia chinesa, quando os pandas eram presenteados como gesto de amizade. No caso do Brasil, seria um empréstimo.
Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty confirmaram ao Estadão que havia um acerto nesse sentido. Segundo eles, a ideia não foi descartada, mas não será concretizada agora.
Nos bastidores, ocorreu uma disputa silenciosa entre ao menos quatro zoológicos no Rio, em São Paulo e em Cotia para ver quem receberia os animais. Atualmente, o candidato favorito é um parque em Cotia.
O Palácio do Planalto tem influência na escolha, dizem políticos e diplomatas a par da negociação. Os governos da China e do Brasil deram o aval político a uma cooperação que envolve, na ponta brasileira, um ente privado.
A razão principal para os pandas não desembarcarem no Brasil a tempo da atual visita de Xi Jinping é o dinheiro. Segundo dois embaixadores a par das tratativas, os custos giraram em torno de US$ 1 milhão (R$ 5,8 milhões) por ano. “O contrato é caro e complexo”, disse um deles.
Os acordos têm validade por 10 anos, geralmente. Os zoológicos candidatos não conseguiram viabilizar a manutenção e gerar receita suficiente para as despesas envolvidas, embora esperem um aumento na procura de visitantes por causa dos pandas-gigantes.
Os pandas precisam de ambientes específicos, com alimentação e cuidados especiais. A China também exige que sejam regularmente visitados por equipes de veterinários ligados à fundação que trabalha em prol de sua conservação global. Em caso de reprodução, os filhotes devem ser devolvidos à China, dentro do programa de reprodução da espécie.
Diplomatas relataram que a viabilidade de concretizar a cooperação hoje é baixa, embora haja desejo dos dois lados de concretizá-la. Ao Estadão, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, indicou que o empréstimo tinha pendências do lado brasileiro. “Depende do Brasil, para onde vamos mandar?”, afirmou ao ser questionado o que faltava, três semanas atrás.
Conforme dados do Ministério das Relações Exteriores da China, essa cooperação já permitiu o intercâmbio de pandas com 26 instituições, em 20 países diferentes, entre eles Alemanha, Espanha e os EUA.
