Nova Raposo: Seminário debate alternativas para mobilidade urbana na região
O projeto da Nova Raposo Tavares, idealizado pelo Governo do Estado e entregue à iniciativa privada por meio de concessão, foi tema de um novo debate na Assembleia Legislativa do Estado. Na noite de quarta-feira (23), integrantes do movimento “Nova Raposo, Não” promoveram o segundo seminário sobre as obras que devem receber R$ 8 bilhões em um período de 30 anos. O evento focou em alternativas para a mobilidade urbana na região e reuniu especialistas, que defenderam investimentos em transporte público.
Novas pistas, mais veículos
O cerne deste segundo debate foi o posicionamento contrário dos especialistas a projetos que tenham foco nos carros e não no transporte público. O sociólogo Élio Camargo, que trabalhou por 36 anos no setor de transportes, apresentou o conceito de trânsito induzido. A ideia defende que aumentar o número de vias para carros, motos e caminhões não resolve o trânsito no local, só vai abrir mais espaço para que mais carros se dirijam à via.
Ele apoia que o pensamento para a mobilidade urbana mude. “Não interessa levar carros de um lado para o outro, o que interessa é levar pessoas. Defendemos a implantação de um sistema de administração da demanda da via e o uso de subsídio do sistema para um corredor de ônibus de qualidade, eficiente e gratuito”, completou o especialista. Segundo ele, um carro individual leva em média 1,1 pessoa, enquanto um ônibus articulado pode levar até 220 pessoas. Outras formas de transporte coletivo, como o BRT (do inglês bus rapid transit) e o metrô, assim como a construção de corredores exclusivos de ônibus e de ciclovias também foram defendidos durante o seminário.
Arquiteta e urbanista e coordenadora do curso de mobilidade contemporânea na pós-graduação da Escola da Cidade, Marta Maria Lagreca apresentou o exemplo da cidade de Barcelona que, segundo ela, conseguiu planejar um modelo de mobilidade respeitando o meio ambiente e a territorialidade da cidade.
O movimento “Nova Raposo, Não” vai realizar ainda oficinas para discutir o tema nas cidades de Cotia e Embu das Artes e em distritos da Capital, como Rio Pequeno, Butantã e Raposo Tavares, localidades que serão atingidas pelas obras. As pautas levantadas nos dois dias de seminários vão gerar uma série de propostas sugeridas por moradores e especialistas, que serão apresentadas em um terceiro seminário.
