Cotia e mais 28 cidades da Grande SP estão mais suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações, aponta Cemaden

Ao menos 37 das 39 cidades da Grande São Paulo estão suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações, segundo uma nota técnica do Cemaden – Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.

A nota listou 1.942 cidades em todo o Brasil. Apenas as cidades de Vargem Grande Paulista e Juquitiba estão fora da lista. Das 37, ao menos 29 cidades apresentam os três riscos: inundações, deslizamentos e enxurradas, entre elas Cotia.

Em todo o estado de São Paulo, são 172 municípios na lista, o equivalente a 4,4% da população em risco.

“Se você tem as informações de que vem o evento extremo as medidas têm que estar planejadas, a população tem que saber disso, tem que saber como se comportar, para onde ir, tudo isso não está ocorrendo no país. Os municípios têm que ter planejamento tanto com ações de mitigação, quanto com ações de adaptação. Isso impõe recuperação de áreas verdes, trabalhar, reformular o sistema de drenagem, afastar potencial construtivo de perto da água, recuperar áreas marginais, entre outras ações”, afirma Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima.

Para a especialista, a recorrência desses eventos é cada vez mais comum e de forma mais intensa e, uma forma de se precaver, é redesenhar as cidades.

“A gente tem vivido já há muitos anos processos de enchentes na Região Metropolitana, deslizamentos, calor extremo porque agora é claro, a gente está vivendo drama da água em abundância. A inundação não vem para punir ninguém, isso é a força da natureza acontecendo, e o que nós já sabemos e a ciência prova é que as modificações que nós fizemos no sistema planetário faz com que os eventos sejam de maior intensidade e com uma recorrência, com uma continuidade maior”, afirma Gil Scatena, gerente técnico do Governos Locais pela Sustentabilidade (Iclei).
Scatena reforça a necessidade de repensar o modelo de renovação das cidades “não só com essas estruturas da engenharia civil, piscinões, diques, por mais importante que eles sejam”.

“Agora, o que tem sido pensado no mundo, é aumentar a permeabilidade das cidades, a capacidade dessas cidades receberem essas águas e fazerem processos de aclimatação para um novo clima”, completa.

Por Sheila Natal, Juliane Assis, Anselmo Caparica, Gabriel Siqueira, TV Globo
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/05/29/36-das-39-cidades-da-grande-sp-estao-mais-suscetiveis-a-deslizamentos-enxurradas-e-inundacoes-aponta-cemaden.ghtml