Paulo Caetano: A revolução silenciosa dos “carros voadores” já chegou ao mercado financeiro brasileiro

Por décadas, carros voadores foram tratados como ficção científica. Hoje, eles já existem e o investidor brasileiro pode participar dessa transformação sem sair da BOVESPA.

A protagonista dessa nova fronteira é a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, dedicada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs. Esses veículos prometem inaugurar uma nova categoria de mobilidade urbana, silenciosa, elétrica e projetada para transportar passageiros em trajetos curtos dentro e entre cidades.

Diferentemente de helicópteros, os eVTOLs utilizam múltiplos rotores elétricos, o que reduz
significativamente o ruído, o custo operacional e as emissões. O modelo da Eve foi concebido para transportar quatro passageiros e um piloto, com foco inicial em rotas urbanas de alta demanda, como conexões entre aeroportos e centros financeiros.

A empresa já acumula milhares de intenções de compra, com potencial de bilhões de dólares em receita futura, e trabalha atualmente no processo de certificação aeronáutica, etapa essencial antes do início das entregas comerciais, previsto para os próximos anos.

Mas o desenvolvimento tecnológico não é o único aspecto relevante dessa história. Há também um componente financeiro que aproxima esse projeto do investidor brasileiro comum, os BDRs.

O que são BDRs e como eles funcionam

As ações da Eve são negociadas originalmente na bolsa de Nova York. No entanto, investidores no Brasil podem acessar a empresa por meio de BDRs, (Brazilian Depositary Receipts) negociados na BOVESPA.

Um BDR é um certificado que representa uma ação de uma empresa estrangeira. Em termos práticos, ele permite que investidores brasileiros tenham exposição a companhias internacionais sem precisar abrir conta no exterior ou lidar diretamente com câmbio e custódia internacional.

Ao comprar um BDR, o investidor não adquire a ação diretamente, mas sim um recibo que espelha o valor desse ativo. O preço do BDR acompanha, com pequenas variações, o preço da ação original, ajustado pela taxa de câmbio.

Isso torna possível investir em empresas globais utilizando a infraestrutura e a regulamentação do mercado brasileiro.

Segundo Francisco Carlos Giannocaro, agente autônomo de investimentos do Banco Safra, no mercado desde 1978, “sobre os BDRs, a liquidez ainda é pouca, mas com um potencial muito grande de crescimento. Nós esperamos já em 2027 esses “carros voadores” conquistando os céus, e a partir daí, com certeza a liquidez aumentará muito e os resultados poderão ser maravilhosos.”

É importante compreender que a Eve ainda está na fase pré-operacional. Ao mesmo tempo, é justamente nessa fase que muitos investidores passam a acompanhar mais de perto o desenvolvimento do setor.

A presença da Embraer como controladora é frequentemente citada como um diferencial relevante, dado o histórico global da companhia brasileira em certificação e produção aeronáutica.

O investidor diante de uma nova fronteira

A mobilidade aérea urbana ainda é um mercado emergente, com potencial significativo, mas também com desafios tecnológicos, regulatórios e comerciais típicos de qualquer inovação disruptiva.

A existência de BDRs permite que investidores brasileiros acompanhem e participem desse processo de forma acessível, utilizando o mercado local.

Mais do que uma aposta em uma empresa específica, trata-se de uma exposição a um setor inteiro que está apenas começando a tomar forma.

Aviso ao leitor: Esta matéria tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico, e não constitui recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento financeiro de qualquer natureza. Toda decisão de investimento envolve riscos e deve ser tomada com base em análise própria e, se necessário, com orientação de profissional qualificado.

*Paulo Caetano é Piloto Comercial de Avião, Especialista em Direito Aeronáutico, Pós graduado em Gerenciamento Estratégico de Pessoas, MBA em Engenharia de Perícias, Palestrante e Colunista do Jornal Cotia Agora.