Ciclistas 60+ que Não Param de Pedalar – por Manoel Lopes

Sempre escrevi sobre ciclismo nesta coluna. Já contei histórias de grupos que se reúnem ao nascer do sol, de mulheres que ocupam as ciclovias com garra e alegria, de crianças que descobrem a liberdade ao dar suas primeiras pedaladas. Mas hoje, quero dedicar meu olhar e minhas palavras a um grupo especial: os ciclistas com 60, 70, 80 anos ou mais. Sim, essa turma que não se entrega, que segue firme sobre duas rodas, provando que a paixão por pedalar não envelhece, se fortalece.

O que move esses veteranos do pedal? O que faz com que, mesmo com o tempo passando no calendário, continuem a vestir as camisas justas, ajustar o capacete e sair por aí desafiando o vento, o sol, às vezes até a chuva?
Talvez seja o desejo de liberdade, talvez o gosto por sentir o corpo em movimento, talvez o prazer de estar em grupo, rindo, conversando, acumulando histórias e quilômetros. Ou tudo isso junto.

Esses ciclistas têm algo em comum: uma juventude que mora na alma. Eles não estão competindo com o tempo, estão dançando com ele. Não escondem a idade, pelo contrário, a carregam com orgulho. São exemplos vivos de que viver bem não tem prazo de validade.
Cada subida que enfrentam é uma metáfora para a vida: pode ser difícil, pode exigir fôlego e persistência, mas no topo, a vista é sempre recompensadora. E lá estão eles, sorrindo, brindando com água e eletrólitos, trocando abraços e piadas como se fossem adolescentes numa nova aventura.

Entre eles, há quem tenha começado a pedalar na juventude e nunca mais parou. Outros descobriram a bicicleta só depois da aposentadoria. E que bom que descobriram! Porque encontraram nela mais do que um esporte, encontraram um estilo de vida, um remédio natural contra a solidão, o sedentarismo e o tédio.

Eles são a prova de que envelhecer não precisa ser sinônimo de parar. Pode ser o momento perfeito para acelerar, para conhecer novos caminhos, para desafiar o próprio corpo com responsabilidade e amor. Para dizer ao mundo, com a força de quem pedala contra o tempo: “Ainda não é hora de estacionar”.

Então, se um dia você cruzar por aí com um ciclista de cabelos grisalhos, pele queimada de sol e olhar vibrante, saiba: você está diante de um mestre da vida sobre duas rodas. Alguém que soube transformar o tempo em aliado, a idade em combustível, e a bicicleta em asas.
Parabéns, ciclistas 60+. Vocês não são apenas inspiração, vocês são lição de vida em movimento.

Essa crônica eu dedico a alguns amigos muito especiais: Nelsão Baffs, Francisco Chagas, Eduardo de Lucca, Marcus Scarlati e tantos outros que já passaram dos 60, mas que, sinceramente, eu não tenho certeza se é a certidão ou a alma que mente… porque o que vejo neles é uma juventude que insiste em não ir embora. Eu já ia me esquecendo… eu também, estou nessa lista!

*Manoel Lopes é autor de Na Trilha dos Deuses, livro que narra a jornada de um ciclista em busca da sustentabilidade, promovendo a conscientização ambiental e práticas mais responsáveis no cotidiano. Como escritor e colunista, se destaca em Cotia, influenciando positivamente a comunidade e promovendo uma cidade mais sustentável e conectada com questões ambientais. Escreve semanalmente no Jornal Cotia Agora.