Coluna de Marcos Martinez (Marcão): A Ordem privada escravista

“A carne mais barata do mercado/ É carne negra/(Tá ligado que não é fácil, né, mano?).” Elza Soares.

A ideia de publicar esta foto tirada em 1870, pelo fotógrafo Militão Augusto de Azevedo, é para aguçar nosso olhar sobre a escravidão, tendo como referência o contexto histórico do período monárquico.Olhar, sem preconceito e sem uma roupagem ideológica dos dias atuais, tome este cuidado. Analisaremos a princípio com um olhar geral da foto, depois, um olhar nos detalhes. O que mais impacto nesse olhar geral da foto? Qual detalhe da foto que mais chamou sua atenção?

A frente do grupo dos fotografados, o senhor branco, o proprietário de cinco escravos. Dê um foco nos pés de cada um, e verás, que apenas o senhor usa sapato. O sapato do senhor é o que diferencia eles socialmente. O senhor é o dono de cada um deles.

Um escravo todo de branco e descalço com a mão na boca, com fisionomia de preocupado, deve ter se mexido antes de tirar a foto atrapalhando o serviço do fotógrafo, com certeza foi castigado. Do lado direito um escravo com os cabelos penteados e divididos, mostrando sua aproximação do senhor, mas descalço. O escravo segurando uma varinha, provavelmente, seria pastor de cabra e vaca leiteira.

Uma foto emblemática, trazendo ela no tempo, poderíamos iniciar uma boa discussão sobre preconceito e racismo. Até mesmo, se perguntar, por quê a ascensão econômica dos negros, incomoda setores da classe média e da elite branca. Por quê o projeto proUni (Programa Universidade para todos), é atacado e incomoda tanto, até setores pobres da sociedade? E ainda, criticam ferozmente os Programas Sociais. Uma coisa é certa, não dá para esconder a vergonha que foi a escravidão. Um sistema de triturar carne humana.

Fonte:História da vida privada no Brasil- coordenador do projeto- Fernando A. Novais.

*Marcos Martinez é escritor e formado em História; atuou na Secretaria da Educação de Cotia de 2000 a 2008. Atualmente presta trabalho na Fundação Gentil, na elaboração e implantação de projetos educacionais para o ensino fundamental. Escreveu os livros Memória & imagem e Hospital de Cotia: um símbolo. Escreve mensalmente no Jornal Cotia Agora