Poema de Antônio dos Santos Camargo: Pranto e dor

Não é feio chorar, muitas vezes é necessário. O choro é um impulso estimulado por dor física, tristeza, angústia ou até alegria. O choro é uma manifestação natural do corpo e preenche um pequeno espaço da vida. Já o pranto é um choro mais intenso, mais prolongado, causado por dores mais agudas e não deixa brechas para outros sentimentos, como o amor. Quem vive em pranto tem muita dificuldade de ser feliz, o pranto inibe a capacidade de amar. Ninguém consegue ser feliz sem amar. Por outro lado, livrar-se de uma dor persistente é muito difícil. É preciso ter muita força de vontade, muita motivação para viver. É preciso guardar a dor num canto da vida, como um traste, até que o tempo a consuma, e aproveitar o espaço para tentar ser feliz.

Muito mais do que lutar para esquecer a dor, é preciso desafiá-la, é preciso lutar contra ela. É preciso buscar uma força desconhecida e dizer para si mesmo: Eu não preciso chorar, sou mais forte do que a dor.

PRANTO E DOR
Não te rendas ao pranto, simplesmente,
Mesmo que sintas na carne uma chaga,
Mesmo que abafe teu canto uma saga
De tristezas e sofrimento latente.

Não te entregues, por nada, ao clamor.
Que seja a lágrima uma dádiva que acalma
Ou ainda o desabafo da alma,
O pranto não é o escudo da dor.

Dor é sentimento puro, de origem vária,
Em cujo horror se conhecem os fortes,
Que padecem serenos e desafiam a sorte
Para ganhar a honra de vida notória.

A dor não mede o tempo nem invoca a hora.
Coloca-se, apenas, como um divisor da história
Entre os que vencem com passado de glória
E os que restam porque apenas choram.

Chorar, simplesmente, é enaltecer a dor
E dor não é prenúncio de morte
Pois é de dor que se esculpem os fortes
E são os fortes que cultivam o amor.

*Antônio dos Santos Camargo, também conhecido como Toninho ou Cobra, é natural de Cotia, filho de família tradicional da Cidade. Antônio é nascido e criado em Cotia. É Bacharel em Química e, além de outras atividades, trabalhou durante 36 anos no segmento químico. Aposentou-se há 9 anos e decidiu dedicar-se mais ativamente a uma atividade que sempre lhe deu prazer: Escrever.