Rafael Oliveira: Poppy (Negative Spaces), peso, tecnologia e uma viagem pelos espaços sombrios

O álbum é o sexto trabalho de estúdio da Poppy, lançado em 15 de novembro de 2024, com produção de Jordan Fish, conhecido por seu trabalho com Bring Me the Horizon. O disco mergulha de cabeça no metalcore, metal alternativo, industrial e pop-metal, misturando peso, eletrônica e melodias pop de maneira bastante peculiar.

Negative Spaces é daqueles discos que não pedem licença. Ele chega com guitarras pesadas, bateria agressiva, elementos eletrônicos e uma Poppy que alterna entre a delicadeza quase hipnótica e explosões vocais furiosas. É um álbum que parece construído sobre contrastes: beleza e brutalidade, silêncio e barulho, melodia e caos.

Lançado pela Sumerian Records, o trabalho possui 15 faixas e pouco mais de 42 minutos, mantendo uma dinâmica interessante entre músicas explosivas e pequenos interlúdios.

O grande mérito está justamente nessa capacidade de não ficar preso a uma única fórmula. Negative Spaces pode agradar tanto quem gosta de metal moderno quanto quem aprecia música eletrônica, industrial e pop sombrio. É pesado, mas não é simplesmente pancadaria; existe uma preocupação evidente com atmosferas, refrões e texturas.

E ouvir o álbum na sequência é uma experiência bastante recompensadora.

Faixa a faixa:

Have you had enough? – A abertura já coloca o ouvinte dentro do universo do disco. Guitarras pesadas, produção eletrônica e uma interpretação vocal que transmite tensão. É uma música que parece perguntar ao ouvinte, sem rodeios, se ele está preparado para aquilo que vem pela frente. Excelente começo.

The cost of giving up – Aqui o disco ganha ainda mais força. A faixa combina agressividade e melodia de maneira muito eficiente. O contraste entre os momentos mais pesados e os vocais de Poppy cria uma sensação quase cinematográfica. É uma das músicas que melhor representam a identidade de Negative Spaces.

They’re all around us – Uma das grandes pancadas do álbum. A guitarra ganha protagonismo e a música possui aquele caráter urgente que faz você aumentar o volume quase automaticamente. É pesada, direta e extremamente energética.

Yesterday – Com menos de um minuto, funciona como uma espécie de respiro. É curta, atmosférica e serve para quebrar a sequência de agressividade. Não é uma música para ser analisada isoladamente, mas dentro do álbum cumpre muito bem sua função.

Crystallized – Aqui aparece uma Poppy mais melódica. A música possui uma atmosfera eletrônica muito interessante e mostra como ela consegue transitar entre o pop e o metal sem parecer completamente deslocada. É uma das faixas mais fáceis de revisitar.

Vital – Uma das melhores experiências do disco. Vital combina peso e emoção de maneira muito equilibrada. Existe força nas guitarras, mas também há espaço para a voz respirar. É aquela faixa que funciona tanto em uma audição casual quanto quando você coloca o fone e realmente presta atenção nos detalhes.

Push go – O título já entrega bastante da proposta: é uma faixa para seguir em frente. Ritmo intenso, guitarras agressivas e uma sensação de movimento constante. Excelente para quem gosta do lado mais energético de Poppy.

Nothing – traz uma atmosfera mais sombria e introspectiva. A música parece desacelerar um pouco o álbum sem perder o peso. É uma faixa interessante justamente por criar contraste com as músicas anteriores.

The center’s falling out – Uma das faixas mais interessantes para quem gosta da mistura entre metal alternativo e elementos eletrônicos. O clima é inquietante, quase claustrofóbico. A música transmite a sensação de que alguma coisa está desmoronando — e isso combina perfeitamente com o conceito geral do álbum.

Hey there – É uma pequena pausa dentro da narrativa. Com pouco mais de um minuto, funciona quase como uma vinheta. Curta, estranha e atmosférica. É o tipo de faixa que ganha mais sentido quando ouvida no contexto do disco inteiro.

Negative spaces – Aqui chegamos ao coração conceitual do álbum. A faixa-título trabalha uma atmosfera mais pesada e obscura, representando muito bem a identidade de Negative Spaces. Não é necessariamente a música mais explosiva do disco, mas é uma das que melhor traduzem sua personalidade.

Surviving on defiance – O próprio título já transmite resistência. Musicalmente, a faixa recupera bastante da agressividade do início do álbum. É pesada, determinada e possui aquela sensação de confronto que combina perfeitamente com a interpretação de Poppy.

New way out – Uma das grandes músicas do disco. Foi lançada como single antes do álbum e funciona muito bem como porta de entrada para o universo de Negative Spaces. A faixa mistura pop industrial, metal e rock eletrônico, mostrando a capacidade de Poppy de criar algo acessível sem abandonar o peso.

Tomorrow – Outra faixa curtíssima, com menos de um minuto. Funciona como uma preparação para o encerramento. É quase como se o álbum estivesse tomando fôlego antes de apresentar seu último capítulo.

Halo – E o fechamento é muito bonito. Halo apresenta um lado mais atmosférico e melódico, encerrando o álbum de maneira diferente de como ele começou. Depois de tanta agressividade, a música deixa uma sensação mais contemplativa. É um encerramento inteligente e dá vontade de voltar ao início para ouvir tudo novamente.

Para mim, a melhor canção de Negative Spaces é “The Cost of Giving Up”.

Ela resume muito bem o espírito do álbum: peso, melodia, tensão e uma interpretação vocal marcante da Poppy. A construção da música cresce de maneira muito eficiente e o refrão tem aquele impacto que permanece na cabeça depois que a faixa termina.

  • Melhor faixa: The Cost of Giving Up
  • Destaque: equilíbrio entre metalcore e elementos eletrônicos
  • Melhor momento: quando a música explode e a voz da Poppy assume o protagonismo.

Se fosse escolher uma única música para apresentar o álbum a alguém, eu começaria por essa.

Deve fazer parte da setlist do Programa Garimpo da Rádio Meteleco – https://meteleco.net – semanalmente exibido às 16hs de segundas as sextas-feiras.

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O mais interessante é que Negative Spaces não precisa escolher entre ser pesado ou melódico. Ele simplesmente faz os dois. A produção de Jordan Fish ajuda bastante nesse resultado, criando uma sonoridade moderna, enorme e bastante detalhada. O disco consegue conversar com o metalcore contemporâneo, mas também mantém elementos eletrônicos e pop que são fundamentais para a identidade de Poppy.

Para quem gosta de metal moderno, industrial, metalcore e rock alternativo, é um álbum que merece uma audição com fones de ouvido e volume razoavelmente alto. Há detalhes escondidos na produção que aparecem melhor quando você presta atenção.

Instagram: @rafael.s.deoliveira.9

*Rafael S. de Oliveira – Mórmon/SUD – Com oficio de Elder, Diretor de Assuntos Públicos e Especialista de Bem Estar, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Vice-Presidente – O Observatório: Associação de Controle Social e Políticas Públicas da Zona Oeste de SP (mandato 2020-2023). Técnico em Políticas Públicas pelo PSDB (Partido da Social Democracia do Brasil), Engenheiro de Produção e ex-gestor por 3 grandes empresas (Luft Logistics, IGO SP e TCI BPO). Apresentador e Produtor pela Rádio Meteleco.Net (Programa Garimpo) e Colunista no Jornal Cotia Agora (Caderno de Música, Discos, Experiencias e Cultura).