Coluna espírita de Lúcio Cândido Rosa: Misericórdia – Lei da justiça, amor e caridade

Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque eles próprios obterão a misericórdia. (Mateus, cap. V, v7)
Esta é uma das mensagens contidas no Sermão da Montanha, ou seja, uma das receitas que Jesus nos deixou, para que sejamos felizes aqui na Terra, ainda nesta encarnação.

Para nós, misericórdia é: ter dó, compaixão despertada pela miséria alheia; perdão, grito de quem pede compaixão ou misericórdia, e por fim, cuidar do outro.
Mas, reportando-nos ao evangelho, Jesus prega a misericórdia, dizendo que o Pai é misericordioso.
O Mestre veio para que a lei fosse cumprida com amor e caridade, pois naquela época a lei era rigorosa e punitiva ao extremo. Lembremo-nos das crucificações (da qual o Cristo foi alvo também), das masmorras e outras atrocidades.

Atualmente, a lei é burlada sempre que possível, mas quando aplicada sua intenção é de punição e não regeneração do indivíduo, que seria o intuito dela. Para qualquer ato ruim praticado costumamos clamar por justiça, justiça dos homens, e, revoltamo-nos quando isso não acontece. Mas, esquecemo-nos de que a maior justiça é a divina, da qual ninguém escapa impunemente, pela Lei de Ação e Reação.
Jesus nunca julgou, nunca puniu ninguém. Ele enxergava no transgressor da lei um doente e sempre indicava o remédio, através da prece, da reforma íntima e da fé em Deus.

Na passagem do Evangelho, quando Jesus deixou Pedro no local destinado ao atendimento, pois precisou ausentar-se, o apóstolo dispensou a todos.
Ao voltar, o Mestre questiona sobre as pessoas, que normalmente o procuravam, e a resposta foi de que eram uns desocupados e nada tinham a fazer ali. Sua advertência foi: – “Pedro, os são não precisam de médicos”.

Jesus, em sua imensa misericórdia, referia-se aos doentes da alma e não aos do corpo físico. A misericórdia é abrangente. Engloba a paciência, o amor, a piedade, a benevolência, a indulgência, ou seja, todas as virtudes juntas.

Quando uma pessoa está doente, pedimos a Deus a sua cura, que Ele tenha misericórdia e o ajude a recuperar-se. Sabemos que nossas doenças, muitas vezes, são reflexos de nossa alma: – muito rancor, mágoa, maledicência, falta de perdão aos demais.
Na atualidade, muitos estudiosos da psicologia, já sabem até localizar o órgão que será afetado por essas energias produzidas por nós mesmos.
Por isso, a pregação do Mestre, em seu evangelho de amor, era a paciência, brandura, e todas as virtudes que possamos imaginar. No Livro dos Espíritos, a última Lei Divina abordada por Kardec, foi a “Lei de Justiça, Amor e Caridade”. Vemos aí refletida a “Misericórdia Divina”.

Não são três leis diferentes, elas estão interligadas entre si e aplicadas em conjunto. Não somos perdoados por nossas falhas quando desencarnamos, mas somos julgados com muito amor e carinho, pela lei de Justiça, Amor e Caridade que está em nossa consciência.
E, como recompensa de nossos esforços de melhoria na erraticidade, somos agraciados com a reencarnação, para sanarmos nossos erros, e subirmos mais um degrau na escala evolutiva.

E chegado o Natal! A compaixão de Deus, Nosso Pai, pela Misericórdia Divina, enviou Jesus, Nosso Mestre, Nosso Irmão como o modelo e Guia da humanidade. O Natal é uma festa de “luz”, que deverá refletir todas as nossas virtudes. Evitemos, pois, que essa data se torne simplesmente “uma data comercial. ”

Amemos e cultivemos a Jesus, que deu sua vida por nos amar!
Muita Paz!

* Lucio Cândido Rosa escreve sobre espiritismo e espiritualidade no Jornal Cotia Agora. Quer enviar sugestão de algum tema para que ele aborde? Envie para o email [email protected]