Coluna de Marcos Martinez, o professor Marcão: Qual a melhor escola para seus filhos?

“E contudo a pratinha era bonita e foram eles, Raimundo
e Curvelo, que me deram o primeiro conhecimento,
um da corrupção, outro da delação; mas o diabo do tambor…”
(Machado de Assis – Conto de Escola)

A ideia deste texto não é indicar uma receita do que seja uma boa escola, mas questionar se escolhemos escolas que atendam nossas perspectivas em relação à educação dos nossos filhos. Durante muitos anos, acompanhei a publicação de suplementos de jornais e revistas de folhas cintilantes que apresentavam escolas com estética e plástica inquestionáveis. Será que estas escolas atendem nossos interesses educacionais? Partindo desta visão do edifício escolar, continuemos. O que define uma boa escola é o quanto podemos pagar. Qual o tamanho do nosso bolso para educar nossos filhos? Ao lermos nas entrelinhas destes suplementos notamos que o mercado oferece escolas de todo tipo e qualidade. Será que estas escolas oferecem um bom ensino? E quem não pode pagar por este ensino? Coloca o filho em uma escola pública?

Afinal, qual é a melhor escola para educar nossos filhos? As avaliações nacionais têm apresentado índices que demonstram a precariedade do ensino brasileiro, tanto no ensino público como no particular, e este último, com dígitos um pouco melhores do que o ensino público, mas também nada alentadores, embora seja bom lembrar que a educação vive uma crise no mundo. Existem escolas públicas que são bem administradas, e com o envolvimento da comunidade produzem bons resultados, comparáveis aos índices internacionais, assim como também existem escolas particulares com um bom ensino.

Buscando algumas experiências para elucidar melhor este tema, no começo do ano recebemos a lista de materiais para o ano letivo e levamos um susto com a quantidade de coisas que serão usadas pelos nossos filhos. Começa a dor de cabeça: tem que ser uma mochila da moda, de preferência de marca, um caderno com estilo, uma caneta e borracha mais estilosos que o caderno e por ai vai… Além do material básico temos ainda os assessórios – um tênis de marca acompanhado de uma calça também bacana e um celular. O celular não pode faltar. Na verdade, as escolas não pedem aos pais para comprarem itens de marca, eles somente cedem à pressão do mercado e dos filhos. Mas… e os livros indicados? Não precisa.

Muitas escolas estão apresentando um bom currículo recreativo e não cultural. Será que uma boa escola não teria que discutir, por exemplo, temas ligados a ética? Machado de Assis deixa bem clara a necessidade dessa discussão, já no século XIX, em seu “Conto da Escola”. E agora, no século XXI? As escolas particulares não deveriam acentuar tanto as desigualdades sociais, e os pais precisam se posicionar melhor sobre a educação querem para seus filhos.

Conversa de porta de escola: “- Tirei meu filho da escola do estado. Aquela gente bateu no meu filho, coitadinho. Aqui nesta escola eu pago e ele está seguro.” Pelo amor de Deus! Será que nossos filhos estão seguros mesmo? Será que isso define uma boa escola?

Não pretendo com este assunto me colocar contra as escolas particulares, pois estamos em uma sociedade de mercado. Acho que estamos chegando a um momento em que todos os envolvidos com educação precisam pensar, juntamente com alunos e pais, uma escola que construa um ser humano melhor e que saiba lidar melhor com as diferenças que fazem parte do nosso dia a dia.

Afinal, qual é a melhor escola para nossos filhos?

*Marcos Martinez – Escritor – formado em História –, atuou na Secretaria da Educação de Cotia de 2000 a 2008. Atualmente presta trabalho na fundação Gentil na elaboração e implantação de projetos educacionais para o Ensino Fundamental. Escreveu os livros Memória &imagem e Hospital de Cotia: um símbolo.