Abrigo de Cotia recebe mais pessoas vindas do Afeganistão

Em janeiro, o Jornal Cotia Agora publicou com exclusividade sobre a vinda de refugiados do Afeganistão para Cotia, em uma ação do Governo do Estado para 150 pessoas que fugiram de seu país, que, mais uma vez, convive com ações de grupos terroristas.

Os afegãos ficaram nesta casa de passagem na cidade e muitos da primeira turma já foram embora para outros países ou pro interior do estado. Se tornou comum para os moradores do entorno a presença das famílias afegãs em alguns pontos de Cotia nos últimos meses.

Segundo informações obtidas por nossa reportagem, um grupo de mais de 100 pessoas chegou a Cotia recentemente, na casa de passagem.

Os primeiros afegãos que chegaram na cidade, estavam há muito tempo acampados no Aeroporto de Cumbica. O Jornal Cotia Agora, a pedido da SEDS – Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, mantém o sigilo em relação ao local que abriga os imigrantes.

Dentre essas pessoas, homens, mulheres e crianças, que saíram do Afeganistão pelo temor de serem assassinadas pelo Taliban, grupo terrorista que voltou a dominar o país após a saída dos militares americanos em 2021. A maioria desses afegãos é formada por muçulmanos xiitas, uma minoria no país asiático e que são perseguidos pelo Taliban.

Vistos e recursos

O governo brasileiro já emitiu mais de 15 mil vistos humanitários para cidadãos do Afeganistão. Muitos deles usam o Brasil apenas como passagem e tem como destino outros países, como EUA e Canadá.

O Governo de SP disse que já investiu mais de R$ 6 milhões com os refugiados (também em outras unidades de acolhimento). Outra parte dos recursos vem do governo federal. O abrigo para essas pessoas em Cotia tem toda estrutura em dormitórios, cozinha, higiene pessoal, etc.

Dificuldade cultural

Segundo apurado pelo Jornal Cotia Agora, os afegãos passam por muitas dificuldades ao chegarem ao Brasil, como o idioma, costumes e culturas. Alguns falam inglês e, para isso, o Governo de SP coloca funcionários bilíngues para atender essas pessoas, mas muitas delas só falam o persa, língua predominante no país.

São no máximo seis meses de estadia em Cotia e aqueles que quiserem aprender alguma profissão e nosso idioma, terão disponibilizados cursos profissionalizantes e de português. Ainda quem quiser fixar moradia no Brasil, terá que passar por uma triagem e pode até ter benefícios do Governo Federal, desde que seja feita a inscrição no CadUnico – Cadastro Único.

A SEDS permanece em constante diálogo com o Governo Federal, que é a instância responsável pela emissão dos vistos humanitários e pela definição da política de interiorização para migrantes no país.

Por Beto Kodiak – Foto: Rovena Rosa (Agência Brasil)