Coluna de Marcos Martinez (Professor Marcão): “Ai minha mãe, minha mãe”

“Por que Deus se lembra– mistério profundo –de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho “-Carlos Drummond de Andrade”.

Como dizia o compositor nordestino em uma das suas musicas: “Aí minha mãe, minha mãe.” Lembro-me do colo acalentando-me. Lembro-me de todo esforço incansável, para ajudar seu rebento nas tentativas, ás vezes, frustradas dos primeiros passos… A sua mão sempre presente. “Ai minha mãe, minha mãe.” Lembro-me das noites mal dormidas para socorrer-me das crises de bronquite. Lembro-me nitidamente, do dia que me levou, até a porta de entrada da escola, no primeiro dia de aula.

“Ai minha mãe, minha mãe”. Lembro-me da sua mãe colhendo ervas, matos e cascas de arvores milagrosas para cuidar do seu filho. Lembro-me na minha chegada, pelas mãos da parteira Dona Carolina. Mãos abençoadas. Lembro-me perplexo de quando minha mãe biológica abriu mão do seu filho. “Ai minha mãe, minha mãe.” Prontamente recolheu acolheu-me. Com todo o amor de mãe, deste mundo. Com apenas, 21 anos de idade.

“Aí minha mãe, minha mãe.” Lembro-me do cheiro da sua comida de domingo. Delícia. Ritualmente: frango ao molho, polenta e salada de maionese. Acompanhado do refrigerante Cotuba. Ritualmente: Passávamos horas aos domingos, diante da televisão, assistindo aquele programa de auditório. Com aquele homem de fala e risada engraçada. Conversávamos, riamos, e o domingo ia embora, tranquilamente.

“Aí minha mãe, minha mãe”. Lembro-me das festas de aniversário que juntávamos a família. O tempo nos distanciou… O que aconteceu minha mãe? “A minha mãe, minha mãe.” Ainda, há tempo, de aproxima-nos. Saudade dos encontros de todos na casa da sua mãe. A mesa farta e o burburinho das crianças e dos adultos. Com os primos tudo virava brincadeira e alegria. Um mais arteiro que o outro.

“Aí minha mãe, minha mãe”. Lembro-me das lagrimas que correram pelo seu rosto, quando perguntou: – o que eu queria da vida, estudar ou trabalhar. Escolhi trabalhar. Desculpa-me mãe! Lembro-me das transformações em nossas vidas, ás vezes, adversas e conflituosas. Mas, em nenhum momento largamos a mão um do outro. Segui meu caminho… Distanciamo-nos, mas nunca nos separamos. O tempo passou e nos aproximou, novamente! Agora, moramos na mesma casa, a senhora com 83 anos de idade. Um abraço fraternal em todas as mães do mundo.

*Marcos Martinez é escritor e formado em História; atuou na Secretaria da Educação de Cotia de 2000 a 2008. Atualmente presta trabalho na fundação Gentil, na elaboração e implantação de projetos educacionais para o ensino fundamental. Escreveu os livros Memória & imagem e Hospital de Cotia: um símbolo. Escreve mensalmente no Jornal Cotia Agora.