Coluna de Rafael Oliveira. Jerry Cantrell, I Want Blood, uma audição especial deste disco
O álbum I Want Blood de Jerry Cantrell faixa a faixa — sentir o clima, a “pegada” — e o que rola de bom em ouvir o disco completo.
“I Want Blood” saiu em 2024 como o mais recente trabalho solo de Jerry Cantrell. O cara trouxe riffs pesados, atmosfera obscura, convidados de peso (baixo e bateria com músicos de bandas como Guns N’ Roses e Metallica).
Comparado ao disco solo anterior — mais “claro”, mais leve — este aqui é mais bruto, cru, com DNA que lembra sua fase mais pesada.
O resultado: um disco direto, honesto, às vezes sombrio — perfeito pra quem curte rock com alma e intensidade.
Faixa a faixa: a viagem sonora de “I Want Blood”
Aqui vai o passeio. Cada música, um cenário.
Vilified – Abre o disco com tudo: guitarra agressiva, vibe bem pesada e vocal cortante. A pegada lembra o rock/metal alternativo com aquele peso visceral que os fãs da fase sombria de Cantrell sempre curtiram.
Off The Rails – A vibe muda um pouco: guitarras mais altas, ritmo roqueiro — um rocker direto, com hooks marcantes e energia de estrada.
Para quem já amava o som clássico do autor, essa faixa entrega aquele “rock cru e sincero”, sem frescura. Um bom equilíbrio entre peso e melodia.
Afterglow – Momento de respiro — a música traz uma melodia mais contida, vocal mais vulnerável, guitarras com sentimento.
É uma das “baladas pesadas” do álbum: menos explosão, mais emoção. A vibe é reflexiva, quase melancólica — dá pra sentir o peso da história que o cara carrega.
I Want Blood (faixa-título) – Aqui ele solta o som com fúria. Baixo ameaçador, bateria marcante, guitarra cortante e a voz raspando o couro. A música tem aquela pegada visceral, enérgica — ideal pra quem quer sentir a adrenalina rolar.
É agressiva, intensa, sem medições — serve pra sacudir, pra rasgar o silêncio. É quase uma declaração sonora de que Jerry ainda manda.
Echoes of Laughter – Depois da pancada, vem esse respiro sombrio. A faixa tem momentos acústicos, camadas mais suaves, clima mais “noturno”.
É daquelas músicas que mexem com sentimento — meio melancólica, meio nostálgica — e mostra que o disco não é só barulho: tem alma, tem sombra, tem luz.
Throw Me A Line – Riff pesado de novo, com densidade e saturação boa. Guitarras mais rústicas, vibe crua — uma típica “pedrada” de rock.
É uma faixa para balançar a cabeça, sentir o peso, respirar fundo e deixar a música te carregar. Tem um groove sujo, suculento, que fecha bem a primeira metade do disco.
Let It Lie – Aqui o clima pesa de novo — quase doom, com riffs densos e atmosfera sombria. Guitarras graves, vocais intensos. Um mergulho no lado mais profundo e introspectivo do rock.
É ideal pra ouvir à noite, com fones ou som alto — parece música feita para caminhar sozinho, pensar, sentir o mundo com brutal sinceridade.
Held Your Tongue – Com seus momentos de melodia e peso, a faixa traz contraste: parte suave, parte forte — como se alternasse entre suspiro e grito. Essa alternância dá textura, imprevisibilidade.
Serve pra mostrar que o disco não é monótono — há variedade, sensibilidade, mudança de ritmo.
It Comes – Fechamento perfeito. A música traz uma atmosfera mais “ambiente”, introspectiva, com guitarras que ecoam e clima de final de trilha.
A melhor música do disco é “I Want Blood” (faixa-título).
Por que ela é a melhor?
- É a faixa mais ativa, intensa e visceral do álbum.
- Tem o riff mais marcante, aquele tipo de frase de guitarra que só o Cantrell sabe fazer — suja, arrastada, cheia de autoridade.
- A produção nela é mais pesada, moderna, afiada — parece que alguém abriu a jaula.
- É a música que resume o espírito do disco: agressividade, melancolia, raiva contida e aquela assinatura emocional que só ele tem.
- E foi exatamente por isso que ela virou single principal e o clipe oficial do álbum.
- É melancólica, contemplativa — dá a sensação de sair de um túnel pesado e voltar ao mundo com cicatrizes. Fecha o álbum com dignidade, peso e propósito.
Deve fazer parte da setlist do Programa Garimpo da Rádio Meteleco – https://meteleco.net – semanalmente exibido às 16hs de segundas as sextas-feiras.
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O que faz ouvir o álbum completo valer a pena?
Variedade de climas — não é só “barulho pesado”. Tem agressividade, melodia, tristeza, groove, introspecção. Vai do soco no peito à calmaria sombria.
Narrativa sonora — o disco tem começo, meio e fim com flow: começa pesado, varia, às vezes afunda, às vezes dá respiro, e fecha com algo que faz sentido. É como ler um livro ou ver um filme: tem tensão, calmaria, final.
Identidade forte de artista maduro — Cantrell não tenta reinventar o rock moderno; ele envelheceu como merece: com honestidade, com cicatrizes, com riffs que carregam alma.
Equilíbrio entre peso e sensibilidade — não é só para quem gosta de briga sonora. Se você prestar atenção, vai achar poesia nas guitarras, dor nos vocais, melancolia nas pausas.
Escuta recompensadora com repetição — as primeiras audições já impressionam; com o tempo, os arranjos, pequenas variações, detalhes de produção — tudo ganha nova força.
Instagram: @rafael.s.deoliveira.9

