Coluna de Rafael Oliveira: Larkin Poe – Conheça o álbum Bloom e sua melhor canção
O Larkin Poe sempre teve uma capacidade especial de pegar as raízes do blues, do southern rock edo folk norte-americano e transformá-las em algo moderno, pesado e extremamente pessoal. Em Bloom, essa identidade aparece com força: é um álbum que soa orgânico, quente e vivo, daqueles que parecem pedir para serem ouvidos com atenção, de preferência com o volume um pouco mais alto.
O disco passeia por riffs marcantes, vocais poderosos e uma produção que preserva aquela sensação de banda tocando de verdade. Rebecca e Megan Lovell continuam demonstrando uma química musical impressionante, equilibrando força e delicadeza sem deixar o álbum cair na mesmice.
Bloom funciona justamente porque não tenta reinventar o blues a qualquer custo. Ele entende suas raízes e trabalha em cima delas com personalidade. É música com poeira de estrada, guitarra valvulada e aquele espírito sulista que combina perfeitamente com uma boa audição sem pressa.
Little Bit – A abertura já coloca o ouvinte dentro do universo do álbum. É uma faixa envolvente, com groove forte e aquele vocal característico que dá personalidade imediatamente. Uma ótima porta de entrada para Bloom.
Bluephoria – Aqui o blues ganha uma atmosfera mais hipnótica. A música tem um balanço irresistível e mostra como o Larkin Poe consegue transformar uma estrutura tradicional em algo contemporâneo e cheio de energia.
Easy Love – Uma das faixas mais agradáveis para simplesmente deixar tocar. Tem leveza, sensualidade e um ritmo que cresce naturalmente. É aquele tipo de música que conquista sem precisar fazer esforço.
Nowhere Fast – O título já sugere movimento, e a música acompanha essa ideia. Guitarras mais agressivas e uma interpretação cheia de atitude tornam a faixa especialmente divertida de ouvir.
If God Is a Woman – Uma das músicas que mais chama atenção pela personalidade. O Larkin Poe trabalha aqui com uma sonoridade mais provocadora e intensa, criando uma faixa que mistura reflexão, sensualidade e peso.
Mockingbird – Uma composição que evidencia o lado mais tradicional da banda. O blues aparece de maneira muito natural, enquanto as vozes e guitarras criam uma atmosfera quase cinematográfica.
Preachin’ Blues – Aqui o espírito do blues fica ainda mais evidente. É uma faixa que parece carregar décadas de tradição dentro dela, mas sem soar antiquada. A interpretação é poderosa e cheia de alma.
Fool – Uma música mais emocional, que permite respirar depois de momentos mais intensos do disco. A força está justamente na interpretação e na maneira como a banda trabalha as nuances.
Blue Jean Baby – Uma das faixas mais descontraídas do álbum. Tem charme, groove e uma energia bastante contagiante. É impossível não imaginar essa música funcionando perfeitamente em um palco pequeno, com a banda tocando diante de uma plateia próxima.
Little Bit (Reprise) – A reprise funciona como um retorno ao clima apresentado anteriormente, fechando o ciclo de maneira elegante. É uma pequena lembrança de tudo aquilo que tornou o álbum tão envolvente.
Para mim, a melhor canção de Bloom, do Larkin Poe, é “If God Is a Woman”.
Ela reúne praticamente tudo que faz o Larkin Poe funcionar tão bem: blues, rock, sensualidade, peso e uma interpretação vocal poderosa. A guitarra tem presença, o groove é envolvente e a música cresce de maneira muito natural.
- Melhor faixa:If God Is a Woman
- Destaque:guitarras e vocal
- Clima:blues rock intenso e provocante
- Nota:9,5/10
Deve fazer parte da setlist do Programa Garimpo da Rádio Meteleco – https://meteleco.net – semanalmente exibido às 16hs de segundas as sextas-feiras.
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