Corpo e caixão somem de cova de cemitério em Carapicuíba
Família estava pronta para a exumação, mas coveiros não encontraram os restos mortais.
Susto e raiva. Essas foram as sensações que a bacharel em direito Márcia Vieira, de 34 anos, sentiu no momento da exumação de seu pai, João Andrade, no Cemitério Municipal de Carapicuíba. “Os coveiros começaram a retirar a terra, mas não aparecia nada. Não tinha corpo, ossos, madeira, caixão, nada”, relatou Márcia, que enviou a denúncia ao WhatsApp do Diário de S. Paulo pedindo que a redação cobrasse providências após os responsáveis se calarem sobre o sumiço.
De acordo com a legislação estadual, o prazo mínimo para a exumação é de três anos, contados a partir da data do óbito. Como a morte do pai de Márcia completou três anos em 7 de janeiro, na última terça-feira os restos mortais seriam transferidos para um ossário.
Ela conta que a família estava apreensiva com a aproximação da data. “Você já sabe que vai reviver a perda e para piorar acontece uma coisa dessas”, desabafou.
Por se tratar de um caso de polícia, Márcia registrou boletim de ocorrência e disse que vai acionar a Justiça. Entretanto, ela sabe que não deve alimentar muitas esperanças em dar um fim digno ao corpo do pai. “Quem garante que vai acontecer alguma coisa? Com a Justiça desse país, vou precisar esperar por dez, 20 anos?”.
A prefeitura informou, por meio de nota, que a responsabilidade é da empresa Akar, que administrou o cemitério na época do enterro. O município, que reassumiu a gestão em setembro de 2015, disse que tomará as medidas cabíveis para tentar encontrar os restos mortais e “está à disposição para fornecer informações à família”. Por telefone, o gerente da Akar, que se identificou apenas como Fred Henrique, informou que a empresa não administra mais o local e por isso não falaria sobre o caso.
Por: Ana Paula Bimbati – Diário de S. Paulo
