O Futuro da Mobilidade Aérea – Coluna do Comandante Caetano

A era dos “carros voadores” já começou, mas não da forma como muitos imaginavam. Em vez de uma revolução mundial simultânea, a indústria está avançando em ritmos muito diferentes.

A China é hoje a mais adiantada. A EHang já possui certificação chinesa para uma aeronave autônoma para dois passageiros, e em 2026 iniciou operações comerciais em Guangzhou e Hefei, inicialmente voltadas a voos turísticos e experiências pagas. Guangzhou também prepara novos voos comerciais para passageiros.
E sim, já existem passageiros pagando para voar em um EVTOL (veículo elétrico de pouso e decolagem vertical) na China, embora ainda não se trate de uma rede de táxis aéreos urbanos funcionando em escala semelhante à de um serviço de transporte convencional.

Nos Emirados Árabes Unidos, a disputa é ainda mais interessante. Dubai prepara a entrada do Joby Aviation, que pretende transportar seus primeiros passageiros ainda em 2026. A empresa já realizou voo ponto a ponto no país e está construindo a infraestrutura de vertiportos.
Abu Dhabi também está na corrida. A Archer Aviation trabalha para colocar o Midnight em operação comercial nos Emirados, enquanto o governo criou um caminho específico de certificação para o modelo. A expectativa da empresa é iniciar operações limitadas no país, fazendo dos Emirados um dos primeiros mercados ocidentais a receber um serviço comercial de EVTOL.

Nos Estados Unidos, porém, a situação é mais cautelosa. Joby, Archer e outras empresas avançaram muito nos testes, mas a certificação para operações comerciais de passageiros ainda é o grande obstáculo. A Joby pretende iniciar operações piloto nos EUA em 2026, dentro de um programa federal de integração de táxis aéreos.

E o Brasil? Aqui está uma das histórias mais interessantes. A Eve Air Mobility, empresa controlada pela Embraer, trabalha com uma aeronave de quatro passageiros mais um piloto e tem como meta a certificação em 2028. A própria ANAC considera esse cronograma realista, mas ressalta que ainda é necessário desenvolver toda a infraestrutura, regulamentação e ecossistema operacional.
O horizonte mais concreto é 2028 para a certificação e, a partir daí, o início da operação comercial.

São Paulo aparece naturalmente como um dos mercados mais promissores. A cidade já possui enorme experiência com helicópteros, grande demanda por deslocamentos rápidos e uma infraestrutura aeronáutica que pode facilitar a transição para os vertiportos.

O cenário mundial, portanto, está começando a ficar claro com a China já operando, Emirados Árabes Unidos próximos a colocar o serviço comercial em escala, Estados Unidos avançando na certificação e o Brasil mirando 2028.

A grande transformação, entretanto, não acontecerá quando o primeiro EVTOL pousar em um vertiporto. Ela acontecerá quando houver dezenas deles voando diariamente, com passageiros comuns comprando uma passagem pelo celular.

*Paulo Caetano é Piloto Comercial de Avião, Especialista em Direito Aeronáutico, Pós graduado em Gerenciamento Estratégico de Pessoas, MBA em Engenharia de Perícias, Palestrante e Colunista do Jornal Cotia Agora.