Palmeiras homenageia ícones do jornalismo em andar de imprensa no Palestra Itália
O Palmeiras inaugurou na quarta-feira (7), uma nova comunicação visual no Centro de Imprensa Osmar Santos, localizado no sexto e último andar do Palestra Itália. O ambiente foi totalmente envelopado, dando espaço a momentos históricos do Verdão e homenagens a grandes nomes do jornalismo brasileiro.
A tribuna do setor Superior Oeste, onde ficam algumas rádios e a imprensa escrita, foi personalizada e nomeada Tribuna de Imprensa Roberto Avallone, em reverência ao jornalista que faleceu em 2019, aos 72 anos. Avallone trabalhou por 23 anos no antigo Jornal da Tarde e por 20 anos na TV Gazeta, notabilizando-se como apresentador do programa Mesa Redonda, além de ter tido passagens por diversas outras emissoras de rádio e televisão.
Irreverente, polêmico e incisivo, foi por décadas o símbolo do hoje recorrente modelo de debate dos canais esportivos. Sem nunca esconder sua paixão pelo Palmeiras, fazia questão de exaltar a sua imparcialidade profissional, muitas vezes dizendo que integrava a “Sociedade Esportiva Jornalismo”. O bordão “no pique!” e a verbalização de pontos de exclamação e interrogação foram suas principais marcas.
Já as paredes dos corredores internos do sexto andar foram adesivadas com descrições de narrações marcantes de gols, defesas e conquistas de títulos do clube ao longo dos anos. São mais de 50 narradores contemplados, sendo uma narração para cada locutor – alguns dos textos são acompanhados pela imagem do jornalista ou do atleta protagonista do lance. Na testeira de todo o corredor estão os bordões de Osmar Santos, como “Ripa na chulipa, pimba na gorduchinha”, “Parou por quê? Por que parou?” e “Sai daí que o jacaré te abraça, garotinho”. O complexo leva o nome de Osmar Santos desde 2017.
Assim como a Tribuna de Imprensa Roberto Avallone, as cabines de rádio e televisão instaladas no andar também receberam nomes de ícones da mídia nacional que não se notabilizaram como narradores, homenageados nas paredes, mas como repórteres, comentaristas ou apresentadores. Os espaços agora se chamam Cabine de Imprensa Milton Peruzzi, Thomaz Mazzoni, Regiani Ritter, Flávio Iazzetti, Claudio Carsughi, Antero Greco e Cabine de Som e Imagem Luis Alberto Volpe.
A própria Regiani Ritter (foto abaixo) e os familiares dos outros sete jornalistas foram recebidos pela diretoria. Eles visitaram o remodelado andar de imprensa, conheceram a tribuna e as cabines de transmissão, receberam uma réplica da placa que identifica cada um dos espaços e uma camisa com o nome do homenageado.

Regiani Ritter (1947) é uma pioneira no jornalismo esportivo. Primeira mulher a exercer a função de repórter de campo no Brasil, foi também uma das precursoras como comentarista e apresentadora, tendo passado praticamente toda a carreira a serviço da Gazeta, tanto no rádio como na televisão.
Quem dá nome às cabines
Milton Peruzzi (1913-2001) teve grande destaque como comandante do Mesa Redonda da TV Gazeta e do Disparada no Esporte da Rádio Gazeta nos anos 70 e 80. Como setorista do jornal A Gazeta Esportiva, inventou a expressão “terminou em pizza” ao retratar uma calorosa discussão entre conselheiros do Palmeiras finalizada em paz numa pizzaria próxima do clube.
O italiano Thomaz Mazzoni (1900-1970), nascido na cidade de Polignano a Mare, chegou criança a São Paulo e revolucionou a linguagem do jornalismo esportivo quando assumiu a redação de A Gazeta Esportiva – foi ele, por exemplo, que criou as expressões Choque-Rei, para o clássico entre Palmeiras e São Paulo, e Derby, para o duelo entre Palmeiras e Corinthians. De 1928 a 1951, publicou anualmente almanaques com todos os resultados esportivos nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Escreveu mais de 20 livros, entre eles, a História do Futebol no Brasil 1894-1950.
Criador da Escola de Árbitros da Federação Paulista, que leva seu nome, e um dos fundadores da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), Flávio Iazzetti (1916-1990) trabalhou no Jornal dos Esportes e em A Gazeta Esportiva, além da rádio Panamericana e da TV Record. Um apaixonado comentarista de arbitragem, foi o pioneiro na publicação de um livro com a história e a interpretação das regras do jogo de futebol.
Falecido em 10 de setembro, Claudio Carsughi (1932-2026) nasceu na cidade italiana de Arezzo e se notabilizou pela sobriedade e pelo conhecimento profundo nos comentários sobre futebol e automobilismo. Correspondente do diário italiano Corriere dello Sport desde adolescente, trabalhou por quase 60 anos na rádio Jovem Pan. Passou também pelas rádios Bandeirantes e Nacional, foi diretor da Quatro Rodas e de outras revistas de automobilismo, escreveu para A Gazeta Esportiva e para o Jornal da Tarde e foi comentarista nos canais SporTV e ESPN Brasil.
Antero Greco (1954-2024) começou a carreira em 1974 no O Estado de S. Paulo e, entre idas e vindas, trabalhou lá até 2018. Passou também pelos extintos Popular da Tarde e Diário Popular e pela Folha de S. Paulo. Na Band, participou das primeiras transmissões do Campeonato Italiano, em 1983. E na ESPN Brasil, onde entrou em 1994, revelou-se um dos mais sérios e ao mesmo tempo descontraídos comentaristas esportivos do país, sobretudo quando passou a integrar a bancada do Sportscenter, em 2000, a maior parte do tempo ao lado do apresentador Paulo Soares, o Amigão.
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Fonte: Departamento de Comunicação – Fotos: Fabio Menotti/Palmeiras/by Canon
