Polícia do Paraná faz buscas em Cotia em operação contra crime organizado
A Polícia Civil do Paraná foi às ruas, nas primeiras horas desta quarta-feira (14), para cumprir 215 mandados judiciais contra uma organização criminosa em três estados. A megaoperação foi realizada em conjunto com o Ministério Público, com diligências no PR, SC e SP. O grupo é investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos.
A operação mobilizou mais de 500 policiais. Ao todo, foram cumpridos 95 mandados de prisão e 120 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário das contas usadas pelo grupo e o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.
Os mandados foram cumpridos em Cotia e São Carlos, em SP, 20 cidades do PR e uma de SC. A investigação teve início em Clevelândia, a partir de crimes violentos atribuídos à organização criminosa na cidade, como tortura e cárcere privado de vítimas acusadas pelo grupo de “traição”. O grupo também cobrava devedores do tráfico mediante ameaças e intimidação.
A Polícia apurou que o grupo transportava drogas entre cidades, usava depósitos para guardar os entorpecentes e controlava pontos de venda à distância. As lideranças presas negociavam a compra e a distribuição de grandes quantidades de cocaína, crack e maconha para revenda em diversas regiões com preços tabelados.
Ao rastrear a origem das ordens para a prática dos crimes violentos, os policiais civis chegaram a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária do Paraná. Com os dados obtidos foi possível revelar uma organização criminosa estruturada e sem fronteiras, pois o comando partia de dentro do sistema prisional e as ordens chegavam às ruas de dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e São Paulo.
Dentro dos presídios, o grupo mantinha uma estrutura de poder paralela, com cargos e funções definidos. Um setor próprio fiscalizava as regras da facção, julgava presos considerados infratores e aplicava castigos físicos.
Outros integrantes eram responsáveis por esconder, recarregar e fazer circular celulares e roteadores entre as celas para garantir contato permanente com o meio externo. Do lado de fora, a organização contava com uma rede de apoio formada por familiares e outros colaboradores, que levavam entorpecentes escondidos no corpo durante as visitas.
Eram realizados PIX para contas abertas em nome de terceiros sem ligação com os detentos. Os depósitos eram fracionados e os saques, rápidos, para dificultar o rastreamento. Além das contas, a investigação identificou a existência de uma empresa de fachada para recebimento de pagamentos de cargas de drogas. Toda esta movimentação era registrada em planilhas de controle financeiro.
Do Rinet
