Procon notifica 11 empresas por embalagens que não são claras

O Procon-SP notificou nesta quarta-feira, 11 fabricantes de alimentos a prestarem esclarecimentos sobre a oferta de produtos similares a outros tradicionais, já conhecidos do consumidor.

O órgão chama a atenção que as embalagens dos novos produtos muitas vezes são parecidas com a dos itens convencionais, “que podem induzir o consumidor ao erro”.

As empresas terão que prestar esclarecimentos sobre as características dos produtos que colocam no mercado e suas respectivas apresentações ao público consumidor.

Com a disparada dos preços dos alimentos, muitas marcas passaram a oferecer similares, sobretudo na linha de lácteos, com itens como soro de leite, misturas lácteas, entre outros. E, como mostrou o GLOBO em reportagem sobre estes produtos, as embalagens semelhantes e disposição nas gôndolas dos supermercados levam consumidores a comprar, sem saber, o produto similar e não o original.

Uma das empresas notificadas foi a Nestlé Brasil. O Procon pede explicações sobre a diferença entre a “Mistura Láctea Condensada De Leite, Soro De Leite e Amido – MOÇA” e o “Leite Condensado – Moça”. E, também, entre a “Mistura De Creme De Leite – Moça” e o “Creme De Leite Original – Moça”.

Atenção às gôndolas

O órgão ressalta que o creme de leite original e o leite condensado Moça são produtos da marca conhecidos no mercado, enquanto os outros são comercializados em “apresentação bastante semelhante aos destes originais e que podem confundir o consumidor”.

A Nestlé tem até o dia 26 de setembro para apresentar documentos como informes, materiais publicitários e mídias de divulgação dos produtos, além de tabelas nutricionais de cada item, com os percentuais de cada um dos ingredientes e uma embalagem vazia (gabarito) de cada forma de apresentação (caixas e rótulos), tal como são disponibilizadas ao consumidor.

Além da Nestlé, mais dez empresas foram notificadas. São elas:

-Companhia de Alimentos Ibituruna, fabricante da bebida láctea UHT Olá
-Laticínios Trevo de Casa Branca, fabricante da bebida láctea UHT Aquila
-Laticínios Bela Vista, fabricante da bebida láctea UHT MeuBom
-Cooperativa Central Mineira de Laticínios – Cemil, fabricante da bebida láctea UHT Performance
-Doce Mineiro, fabricante da bebida láctea UHT Triângulo Mineiro
-Vigor Alimentos Leco, fabricante do alimento à base de manteiga e margarina Leco Extra Cremosa
-Tella Barros Comércio e Importação de Frios e Laticínios, fabricante do Supremo Cremoso Sabor Requeijão
-Oceânica Comércio de Gêneros Alimentícios, que produz o Crioulo Queijos Ralados Latco
-Itambé Alimentos, que produz o Queijo Parmesão Ralado Itambé
-Gran Foods Indústria e Comércio Eireli, que fabrica o Do Chefe Premiun Blend Azeite de Oliva

A Oceânica Comércio de Gêneros alimentícios informou que não produz o queijo ralado da marca Crioulo e faz apenas a distribuição, não sendo, portanto, responsável pela embalagem.

O que diz a Nestlé
O g1 procurou a empresa, que por meio de nota declarou que “prestará os devidos esclarecimentos solicitados pelo órgão” e reforçou “ser uma empresa ética, que cumpre todos os requisitos das legislações em vigor”.

“A Nestlé informa que recebeu a notificação e que prestará os devidos esclarecimentos solicitados pelo órgão. A Nestlé reforça ser uma empresa ética, que cumpre todos os requisitos das legislações em vigor, incluindo aquelas que se referem à composição e rotulagem de alimentos, bem como sua respectiva publicidade”, disse a nota.

O que diz a Vigor

A Vigor recebeu a notificação oficial do Procon-SP e já prestou os esclarecimentos necessários ao órgão responsável. A Manteiga e Margarina Cremosa Leco, foi lançada em 20 de agosto de 2002, estando presente no mercado há mais de 20 anos com o intuito de oferecer ao consumidor a combinação entre a cremosidade da margarina e o sabor da manteiga. A marca reforça que todos os seus produtos seguem as normas de rotulagem e regulamentos técnicos estabelecidos pelos órgãos responsáveis, tais como ANVISA e Ministério da Agricultura e Abastecimento.

Procuradas, as outras empresas ainda não se manifestaram acerca da notificação.

Por Camila Alcântara – O Globo