Teia Agroecológica fortalece produtores em Vargem Grande Paulista
Em Vargem Grande Paulista, produtores rurais, artesãs e artistas encontraram, na Teia Agroecológica, novas possibilidades de renda, pertencimento e dignidade. Desenvolvido pela Associação Ecocultural Casa Jaya, o projeto articula uma rede de apoio e comercialização sustentável que fortalece quem produz localmente, valoriza saberes tradicionais e impulsiona a economia solidária.
Apoiada pelo Fundo Socioambiental CAIXA, a iniciativa faz parte da parceria com o Fundo Casa Socioambiental, dentro da parceria Teia da Sociobiodiversidade. A matéria apresenta projetos focados na inclusão produtiva, desenvolvimento territorial e sustentabilidade. Em Vargem, a Teia mostra como o investimento social pode gerar transformação concreta na vida de quem produz localmente.
Esse investimento possibilitou a ampliação da capacitação técnica dos 26 participantes do projeto, com oficinas relacionadas à agroecologia, sustentabilidade, valoração dos produtos, entre outros, além da compra de uma barraca apropriada para a venda dos produtos dos pequenos produtores em uma feira noturna da cidade.
Acolhimento e Resiliência
Uma das participantes que encontraram novas perspectivas no projeto foi Anivaldina Santos. Após um grave acidente, a produtora rural encontrou na Teia Agroecológica um espaço de reconstrução da autonomia. Com produção e venda de produtos orgânicos na barraca da Teia, conseguiu reconstruir a sua vida profissional, mesmo com sequelas do acidente. “A Teia tem me ajudado a confiar em mim, ter esperança, acreditar no que a gente produz aqui”, conta Anivaldina.
Para o presidente da Casa Jaya, Júlio Avanzo, o objetivo da Teia é trazer pertencimento aos participantes. “Esse projeto fortalece a relação das pessoas com o território, dando sentido e propósito. E a partir disso, novamente a gente vê o poder crescendo na mão das tradições de novo”, comenta Júlio.
Outras artesãs que geram renda na feira de Vargem, são Melissa dos Santos e Jelma da Cruz, moradoras de São Roque. Melissa vende as Abayomi, bonecas de tecido originárias das africanas escravizadas. “Da Abayomi que vem minha renda. Eu faço as bonequinhas Abayomi e eu sempre conto a história de onde ela foi gerada, que veio dos navios negreiros.” A artesã conta que, na época da escravidão, para as mães não perderem seus filhos, faziam essas bonecas para eles.
Jelma da Cruz, artesã e agricultora, comenta que a Teia foi essencial para o aumento da produção em São Roque. “Antes as vendas eram feitas só internamente, com eventos pros moradores… É uma agricultura familiar, mas já estava tendo necessidade de vendas… e com isso a Teia veio para nos ajudar”.
