Rafael Oliveira: Deafheaven Lonely People With Power – O álbum mais intenso da banda?

O álbum Lonely People With Power, da banda Deafheaven, é como entrar numa catedral em ruínas: bonito, imenso… e com ecos que não te deixam em paz.

Aqui os caras continuam aquela mistura que virou marca registrada — black metal + shoegaze + pós-rock — mas com mais maturidade, mais controle e uma sensação constante de isolamento moderno. Não é só barulho bonito. É conflito interno transformado em som.

Faixa a faixa — a jornada sonora:

Incidental I — impacto imediato. Começa sem pedir licença. Guitarras em avalanche, bateria acelerada e o vocal rasgado do George Clarke entrando como um grito preso há tempo demais.

Doberman – Crescimento emocional a banda desacelera levemente e começa a construir atmosfera. Camadas de guitarra criam uma parede sonora que não sufoca — ela envolve.

Magnolia – Bonito e violento, aqui entra o jogo clássico do Deafheaven: peso extremo contra melodia etérea. Uma dança entre luz e sombra.

The Garden Route – A música cresce devagar e explode com precisão cirúrgica. Não é barulho aleatório — é composição pensada, quase arquitetônica.

Heathen – Momento mais introspectivo. Menos agressão, mais emoção, as guitarras limpam o som e deixam espaço pra sentir.

Amethyst – O disco volta a apertar o cerco com bateria mais agressiva, riffs mais rápidos, mas agora você já está dentro — não tem mais como sair.

Incidental II (feat. Jae Matthews) – Aqui o som abre parece maior, mais amplo, quase cinematográfico. É o Deafheaven mostrando que sabe trabalhar espaço, não só intensidade.

Revelator – Uma das faixas mais fortes. Tudo converge — peso, melodia, emoção. É o tipo de música que arrepia sem precisar gritar mais alto.

Body Behavior – Depois do auge, vem à queda. A banda desacelera e cria um clima contemplativo.

Incidental III (feat. Paul Banks) – O álbum termina não com explosão, mas com dissolução. O som vai embora… mas o sentimento fica.

Winona – É como ser abraçado por uma nostalgia melancólica.

É uma sensação de isolamento reconfortante, como olhar pela janela de um trem em movimento ou caminhar sozinho por uma cidade vazia à noite. A música traz um misto de paz, saudade e transe, onde o ritmo repetitivo te desliga do mundo e te deixa flutuar em seus próprios pensamentos.

The Marvelous Orange Tree – A música começa com uma estrutura repetitiva e minimalista, típica de Glass. É como ver uma semente brotando. Conforme as camadas se sobrepõem, a sensação é de algo florescendo diante dos seus olhos.

O que faz esse disco ser especial mistura única de agressividade e beleza produção que valoriza textura, não só volume músicas longas que contam histórias sem precisar de palavras claras.

Sem rodeio — a melhor faixa de Lonely People With Power é: “Magnolia”

Essa aqui é o ponto onde tudo converge.

Por que ela leva o topo?

1. A essência do Deafheaven tem tudo que define a banda:

  • Blast beats intensos
  • Guitarras em parede sonora
  • Melodia escondida no meio do caos
  • É o DNA deles em estado puro.

2. Equilíbrio entre beleza e violência

Mangolia” (sim, com toda essa força) não é só pancada — ela sabe respirar, crescer e explodir no momento certo.

  • É agressiva… mas também é bonita.

3. Crescimento absurdo ao longo da música

  • Ela começa te puxando devagar… quando você percebe, já tá completamente imerso.
  • E o final? Catarse total.

4. A porta de entrada perfeita

Se alguém nunca ouviu Deafheaven, essa é a música que explica tudo sem precisar explicar nada.

Deve fazer parte da setlist do Programa Garimpo da Rádio Metelecohttps://meteleco.net – semanalmente exibido às 16hs de segundas as sextas-feiras.

Conheça mais sobre esse trabalho com os seguintes temas relacionados:

*Rafael S. de Oliveira – Mórmon/SUD – Com oficio de Elder, Diretor de Assuntos Públicos e Especialista de Bem Estar, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Vice-Presidente – O Observatório: Associação de Controle Social e Políticas Públicas da Zona Oeste de SP (mandato 2020-2023). Técnico em Políticas Públicas pelo PSDB (Partido da Social Democracia do Brasil), Engenheiro de Produção e ex-gestor por 3 grandes empresas (Luft Logistics, IGO SP e TCI BPO). Apresentador e Produtor pela Rádio Meteleco.Net (Programa Garimpo) e Colunista no Jornal Cotia Agora (Caderno de Música, Discos, Experiencias e Cultura).