Escolas Zacarias Antônio da Silva e Assis Oliveira promoveram a Representatividade Africana

As educadoras Lucimara Batista e Luana Viegas organizaram, nas escolas E. M. Assis José de Oliveira e E.E. Zacarias Antonio da Silva, momentos culturais e comemorativos para celebrar o Dia da Consciência Negra, com o objetivo de compartilhar vivências e narrativas de uma negritude que precisa ser reconhecida e valorizada.

O evento teve como foco a desconstrução do olhar em relação as pessoas pretas, desafiando a narrativa hegemônica que muitas vezes representa o negro como submisso e domesticado, principalmente nestas datas. Ao invés disso, as educadoras buscaram empoderar os educandos, ajudando-as a se reconhecerem como belos, fortes, inteligentes e capazes.

Entre as atividades realizadas, destacam-se o desfile com tecidos africanos, como o “kente” e o “ankara”, e a pintura no corpo, que simbolizam a conexão com as raízes e a ancestralidade. Após o desfile, os alunos participaram de uma palestra com o escritor moçambicano Davambe, que compartilhou suas reflexões sobre a cultura negra e a resistência. A programação também incluiu uma batalha de rimas, organizada pelos moradores do município Joca Ferreira e Matheus Moreira representando a cultura rap, uma expressão artística que tem forte ligação com o movimento negro e com a luta pela visibilidade e valorização dessa cultura.

Outro ponto de destaque foi o empoderamento das meninas negras, com a participação da trancista Maria que fez penteados afro nas meninas, valorizando a beleza natural e promovendo o pertencimento. Essa participação, veio com o objetivo de valorizar a beleza negra, tendo em vista os desafios que as menninas negras enfrentam em relação à autoestima em uma sociedade que impõe padrões de beleza que muitas vezes não refletem suas características. O cabelo, para as meninas negras, especialmente as periféricas, é uma questão de resistência e afirmação de identidade, e esse gesto de valorização contribui para fortalecer a autoestima delas.

A literatura também desempenhou um papel central, com roda de leitura e com contação da história da boneca Abayomi, símbolo de resistência. A construção da boneca na oficina oferecida proporcionou uma reflexão sobre o contexto da escravidão e suas implicações. Ao longo do ano, os alunos tiveram acesso a diversas rodas de leitura relacionadas à temática, explorando figuras históricas como Zumbi dos Palmares, e compreendendo a importância desses personagens na luta pela liberdade e pelos direitos dos negros.

Essas ações foram significativas e caminham em prol da formação de uma identidade mais assertiva e empoderada entre as crianças, reforçando a importância de reconhecer e celebrar a diversidade cultural que constitui o nosso país.