Coluna de Manoel Lopes. Pedalando no Limite – Rodovia Sem Lei: O Desafio Diário dos Ciclistas

Pedalar pela Rodovia Raposo Tavares não é para amadores. Considerada por muitos um dos trechos rodoviários mais perigosos do país, a rodovia atrai diariamente centenas de trabalhadores e praticantes do esporte que não têm escolha. Unir cidades como São Roque, Vargem Grande Paulista, Cotia e a capital São Paulo sobre duas rodas é uma jornada de coragem, onde o asfalto dividido com caminhões, carros e motos em alta velocidade exige atenção absoluta.

Aliás, a Raposo Tavares se tornou uma rodovia sem lei: nela, cada um circula na velocidade que quer, as ultrapassagens são constantemente arriscadas e o corredor é utilizado de forma perigosa e abusiva por motociclistas, aumentando drasticamente o risco para quem a utiliza.

Entre esses corajosos está Fatima Xavier, conhecida carinhosamente como a “Rainha da Raposo”. Assim como Fatima, milhares de pessoas usam a bike todos os dias não apenas pelo lazer, mas como meio de transporte indispensável para chegar ao trabalho e garantir o sustento de suas famílias.

Para quem encara esse desafio, o cuidado precisa ser redobrado. Além dos equipamentos básicos, capacete bem ajustado, iluminação dianteira e traseira (piscas) e roupas refletivas, comunicar-se com os motoristas é o que costuma separar o perigo do retorno seguro para casa.

Sinais essenciais com os braços:

No entanto, a prudência do ciclista não pode continuar sendo a única barreira contra as estatísticas de acidentes. É inaceitável o descaso com que o poder público trata quem opta ou precisa da bicicleta. Enquanto o mundo avança e transforma a malha cicloviária em prioridade de mobilidade e saúde, por aqui vivemos de promessas. Em Cotia, contamos com a força e a voz da UCC (União dos Ciclistas de Cotia), que luta incansavelmente pelos direitos, respeito e segurança de quem pedala. Mas a omissão governamental insiste em esbarrar na falta de estrutura: a cidade não possui sequer um metro linear de faixa exclusiva para ciclismo, deixando os ciclistas à própria sorte em acostamentos esburacados ou espremidos entre veículos pesados.

Até quando a vida de quem pedala pela Raposo dependerá apenas da própria sorte e de sinalizações manuais? Fica a mensagem de alerta a cada motorista para que respeite a distância mínima de 1,5 metro, e a cobrança urgente aos nossos governantes: pedalar não pode ser um ato de heroísmo, precisa ser um direito seguro.

*Manoel Lopes é autor de Na Trilha dos Deuses, livro que narra a jornada de um ciclista em busca da sustentabilidade, promovendo a conscientização ambiental e práticas mais responsáveis no cotidiano e do Manual do Planejamento Cicloinclusivo – Diretrizes para as Cidades Sustentáveis e Resilientes. Como escritor, palestrante e colunista, se destaca em Cotia, influenciando positivamente a comunidade e promovendo uma cidade mais sustentável e conectada com questões ambientais. Escreve mensalmente no Jornal Cotia Agora. @manoellopesgon