Coluna de Marcos Martinez (Marcão): Segregação

‘Não me digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida. Digam que eu procurava trabalho, mas fui sempre preterida”- Carolina Maria de Jesus.

Pasmem! É inaceitável o acontecido na cidade de São João Batista-Santa Catarina, em uma escola pública: crianças brancas em uma sala e pretas em outra sala.

A constituição cidadã de 1988, estabelece princípios de igualdade e diversidade, mas grupos extremistas tentam implantar a ideologia supremacista, mesmo indo contra a constituição. Só para lembrar os “desavisados”: “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei” O vereador negro da cidade de São João Batista, descreve indignado a cena dos alunos do ensino fundamental, segregados!

A farta legislação que norteia a educação brasileira é valiosa na defesa da igualdade e do respeito à diversidade. Segmentos da elite brasileira tem dificuldade em lidar com as diferenças, o tempo da escravidão acabou, há tempo. É uma pena que ainda hoje, a mentalidade escravista permeia a cabeça de muitas pessoas. O ambiente escolar é sagrado, multirracial e multicultural.

A ideia de etnocentrismo é antiga: Vejam o que fez a elite coronelista com a pobreza alheia: No final do século XIX até meados do século XX, a seca e a fome no Ceará fez com que os camponeses buscassem salvação em algumas cidades do interior do Ceará e na capital, fossem segregados.

A elite cearense criou campos de concentração, para evitar que os retirantes fugindo da fome e da seca, chegassem às cidades, principalmente em Fortaleza. Em um dos campos de concentração foram segregadas mais de 16 mil pessoas (crianças, jovens,adultos idosos e mulheres) em condição de vida insalubre e precária. Movimentos segregacionistas como este do interior de Santa Catarina têm que ser combatidos e denunciados.

*Marcos Martinez é escritor e formado em História; atuou na Secretaria da Educação de Cotia de 2000 a 2008. Atualmente presta trabalho na Fundação Gentil, na elaboração e implantação de projetos educacionais para o ensino fundamental. Escreveu os livros Memória & imagem e Hospital de Cotia: um símbolo. Escreve no Jornal Cotia Agora.