Coluna de Rafael Oliveira: Iggy Pop e o visceral disco Every Loser
O álbum Every Loser, lançado por Iggy Pop em 2023, é uma fusão poderosa de rock crú, energia contagiante e a irreverência característica do cantor e compositor. Este trabalho marca um retorno ao som mais enérgico e visceral que fez de Iggy Pop uma lenda do rock, com uma produção que explora novas possibilidades enquanto homenageia as raízes do punk e do rock ‘n’ roll. O álbum é uma prova da vitalidade do artista, mesmo após décadas de carreira.
A colaboração de Iggy com o produtor Andrew Watt e uma série de músicos talentosos, incluindo membros do Red Hot Chili Peppers, resultou em um álbum equilibrado entre a audácia de Iggy Pop e o toque contemporâneo da produção. Every Loser é um disco que mistura agressividade com momentos de introspecção, criando uma experiência única ao ouvinte, especialmente para aqueles que têm um apreço pelo rock de atitude.
A abertura do álbum com “Frenzy” define imediatamente o tom: uma introdução rápida e de alta energia, com riffs de guitarra cortantes e a voz rouca e tentativas de Iggy. O clima é punk, com um ritmo acelerado e a sensação de uma avalanche sonora. É uma faixa que você puxa para dentro da experiência do álbum de forma imediata.
“Strung Out Johnny” a segunda faixa continua com a energia frenética, mas com uma vibe mais introspectiva. Iggy canta sobre a dependência e o desgaste emocional, temas que ele conhece bem. A instrumentação é densa e poderosa, proporcionando uma base sólida para a carga emocional da letra. A experiência auditiva é cheia de tensão, mas muito envolvente.
“New Atlantis” uma das faixas que começa mais calma, com uma atmosfera quase sombria, “New Atlantis” é uma reflexão sobre o desejo de escapar da realidade. A guitarra flui de maneira mais melódica, mas a intensidade de Iggy na interpretação faz a música crescer até se tornar um épico emotivo. A progressão da faixa traz uma experiência rica, sendo uma das mais complexas do álbum.
“Modern Day Rip Off” aqui, Iggy retorna ao rock mais direto, com um ritmo acelerado e letras ácidas. A faixa tem uma pegada sarcástica e crítica, típica do artista, e sua entrega vocal implacável cativa quem está ouvindo. É uma faixa para os fãs de um rock mais clássico e cru, com muito espírito de rebeldia.
“Every Loser” título do álbum, a faixa homônima é uma das mais impactantes. Ela traz um riff marcante, com Iggy cantando com desespero e poder. A música reflete sobre a luta e os perdedores da vida, mas também com uma sensação de facilidade. A carga emocional da música é forte, com uma ressonância de urgência e atitude, que permeia todo o álbum.
“The Regency” é uma faixa mais melódica, com um ritmo mais cadenciado e uma letra introspectiva, como se Iggy estivesse refletindo sobre o passar do tempo e a natureza humana. É uma pausa emocional, mas ainda com a energia que caracteriza o álbum. O uso da guitarra nessa faixa é sublime, criando uma atmosfera contemplativa.
“Comments” com uma pegada mais experimental, “Comentários” mistura uma sonoridade eletrônica com os elementos do rock tradicional. A música tem um ar mais futurista, mas com a intensidade característica de Iggy, que se reinventa e se adapta às novas sonoridades sem perder a prejuízo. A faixa também fala sobre os problemas modernos e as interações digitais de uma forma irônica.
“I’ll Be Gone” esta faixa traz uma vibe mais suave, com um ritmo mais pausado, quase bluesy. A letra fala sobre partida e a fuga para algo novo. A voz de Iggy é entregue de maneira melancólica, com um senso de conclusão que deixa uma sensação de introspecção profunda. A música tem um toque quase cinematográfico, como se estivesse ambientando uma despedida.
“My Animus” é uma faixa energética, com a guitarra liderando o ritmo e a voz de Iggy trazendo um toque de intensidade. A música é um retrato da alma de Iggy, com uma energia que beira o frenético. A sonoridade é vibrante, a letra revela os conflitos internos e as dualidades que ele carrega dentro de si.
“We Are the People” a penúltima faixa é um grito coletivo. “We Are the People” traz uma declaração de pertencimento, de força e de resistência. A instrumentação se torna mais expansiva, dando uma sensação de celebração, enquanto a mensagem de união e luta ressoa. É uma música empoderadora que levanta o espírito.
Fechando o álbum, “The Fire Down Below” traz uma energia crua e desesperada, com Iggy refletindo sobre os aspectos mais sombrios da vida. A música é intensa, com uma performance vocal impressionante, mostrando que, apesar da idade, Iggy ainda tem muito a oferecer ao rock. A faixa tem uma sensação de fim de ciclo, como se o álbum estivesse previsto para concluir uma jornada emocional.
Ouvir Every Loser é uma experiência de altos e baixos, com momentos de agressividade pura, introspecção e até experimentação. O álbum mostra um Iggy Pop que, mesmo com o passar dos anos, ainda mantém a energia e a atitude que definiu sua carreira, mas que também está disposto a se reinventar e explorar novas sonoridades. Cada faixa é uma jornada única, que traz uma boa mistura de nostalgia com inovação, deixando uma impressão rigorosa em quem ouve.
“Frenzy” eu escolho para fazer parte da setlist do Programa Garimpo da Rádio Meteleco – https://meteleco.net – semanalmente exibido às 16hs de segundas as sextas-feiras.
É a faixa que abre o álbum com força total, carregando uma energia punk visceral e implacável.
A performance vocal de Iggy é intensa e cheia de atitude, lembrando os dias de glória do punk rock, os riffs de guitarra são poderosos e cativantes, capturando imediatamente o ouvinte. A letra é agressiva e cheia de sarcasmo, trazendo aquela característica rebelde de Iggy.
Além disso, a produção é impecável, equilibrando a cruz do som com uma qualidade que ressoa modernamente. Essa faixa encapsula perfeitamente a essência do álbum: uma celebração do rock em sua forma mais pura e feroz. Se você busca uma música que sintetize a força e o espírito do disco, “Frenzy” é a melhor escolha.
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