Dias de frio: Quais doenças podem surgir ou piorar?

A onda de frio que derrubou as temperaturas em boa parte do paí s nesta semana também acendeu um alerta nos consultórios e hospitais. Com madrugadas perto e abaixo de 0°C em cidades do Sul e avanço do ar polar pelo Sudeste, médicos já observam aumento de problemas respiratórios, crises alérgicas, ressecamento intenso da pele e complicações cardiovasculares.

No inverno, o frio não adoece sozinho. O problema é o conjunto: ar seco, ambientes fechados, pouca ventilação, banhos muito quentes, menor exposição ao sol e maior circulação de vírus respiratórios. O corpo sente.

Em idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, o impacto costuma aparecer mais rápido.

Gripe, pneumonia e crises respiratórias aumentam
As doenças respiratórias são as que mais crescem durante ondas de frio. Segundo o infectologista Daniel Paffili Prestes, o inverno favorece a circulação de vírus porque as pessoas passam mais tempo em locais fechados e pouco ventilados.

O ar frio e seco também irrita as vias respiratórias e reduz a proteção natural do organismo contra infecções. Por isso, hospitais costumam registrar mais casos de gripe, resfriado, sinusite, bronquite, pneumonia e crises de asma nesta época do ano.

Além da influenza, os médicos acompanham aumento da circulação de vírus respiratórios como VSR e covid-19. A infectologista Paula Pinhão explica que até doenças consideradas simples podem se tornar perigosas em pessoas vulneráveis. Um resfriado comum, por exemplo, pode abrir caminho para pneumonias em idosos acima dos 80 anos ou pacientes com baixa imunidade.

Os sinais de alerta aparecem quando a gripe deixa de ser “só uma gripe”. Febre persistente, falta de ar, dor no peito, chiado, cansaço excessivo e piora progressiva da tosse exigem avaliação médica, principalmente em idosos, crianças pequenas, gestantes e pacientes cardíacos ou diabéticos.
A vacinação contra gripe continua sendo uma das principais formas de evitar internações e casos graves.

Nariz entupido, dor de garganta e sinusite

Quem sofre com rinite costuma perceber rápido quando a temperatura cai. O frio agrava bastante doenças das vias aéreas superiores, segundo a otorrinolaringologista Renata Mori.
Consultórios registram aumento de pacientes com nariz entupido, dor facial, sensação de pressão na cabeça, tosse persistente, rouquidão e dificuldade para dormir.

Em crianças, crescem os casos de otite e infecções recorrentes. O ar seco irrita nariz e garganta. Já os ambientes fechados concentram poeira, ácaros, fungos e vírus. A médica diz que muita gente acaba confundindo alergia com infecção e se automedica sem necessidade.

Um hábito simples ajuda bastante durante o frio: lavar o nariz com soro fisiológico. Também faz diferença manter os ambientes ventilados, trocar roupas de cama com frequência e evitar excesso de ar-condicionado.

Pele resseca, racha e pode inflamar

O frio também aparece na pele. Segundo a dermatologista Ana Carulina Moreno, o ressecamento é uma das principais queixas do inverno.

Rosto, mãos, pernas, pés e lábios costumam sofrer mais. A combinação de vento, baixa umidade e banhos muito quentes enfraquece a barreira natural da pele. Resultado: coceira, descamação, rachaduras e sensibilidade.

Em quem já tem dermatite, psoríase ou rosácea, as crises podem piorar bastante nesta época. Os lábios rachados e as mãos ásperas viram quase rotina nos dias mais frios. A recomendação é reduzir o tempo do banho quente, usar hidratante logo após sair do chuveiro e evitar buchas ou produtos agressivos. E mesmo com céu nublado, o protetor solar continua indicado.

Frio também sobrecarrega o coração
As baixas temperaturas não afetam apenas pulmões e pele. O cardiologista Vitor Bruno Teixeira de Holanda alerta que o frio faz os vasos sanguíneos se contraírem para preservar calor corporal. Isso aumenta a pressão arterial e exige mais esforço do coração. É por isso que os casos de infarto, AVC e crises hipertensivas costumam crescer durante períodos de frio intenso.

O risco é maior em idosos e pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico de doença cardiovascular. O problema é que muitos sintomas acabam sendo ignorados.

Tem pessoas que atribuem falta de ar, cansaço ou tontura apenas ao frio e demora para procurar atendimento. Dor no peito, palpitações, inchaço e pressão muito alta são sinais de alerta. Mesmo no inverno, os médicos recomendam manter atividade física, continuar tomando os remédios corretamente e reforçar a hidratação ao longo do dia.

Por Pedro Emerenciano – iG Saúde
https://saude.ig.com.br/2026-05-12/onda-de-frio-quais-doencas-podem-surgir-piorar.html