Embu recebe estreia de Cidadela, projeto literário para a infância
“A livro-brinquedo Cidadela convoca o corpo da criança para o momento presente. O leitor adentra um universo analógico, de delicadeza, encantamento e tempo expandido. Elementos táteis, visuais e narrativos aguçam os sentidos e propõe uma leitura compartilhada, enquanto a tridimensionalidade proporciona a vivência da leitura em diálogo com a corporeidade da criança, que manuseia, brinca e troca com outro leitor. A ideia é, nas atividades do projeto, extrapolar o maravilhamento e curiosidade inerentes à exposição e ao livro. ” Maria Ezou
No dia 4 de abril, às 16h, a livraria Livra, em Embu das Artes (Rua da Matriz, 42), recebe a estreia de Cidadela, projeto literário para as infâncias que tem a idealização da artista visual e ilustradora Maria Ezou.
Ele propõe uma tarde que convida o público para uma experiência imersiva no universo das infâncias, suas sensações e subjetividades, com a apresentação do espetáculo Cortejo Cênico Cidadela; roda de conversa sobre literatura e infância e oficina de desenho coletivo para os pequenos.
Espetáculo Cidadela – Cortejo Brincante
É um cortejo brincante que celebra o livro homônimo. Inspirada pelas possibilidades sonoras e visuais da obra, a proposta convida os pequenos a mergulharem no universo da Exposição Cidadela, idealizada pela artista Maria Ezou. Conduzido por três atrizes brincantes, o cortejo estabelece um diálogo poético entre os versos de Heloisa Pires Lima, a estética criada por Ezou para a exposição (e o livro) e a ressignificação de brincadeiras populares brasileiras, resgatando pilares da cultura infantil e destacando suas raízes históricas e culturais. O cortejo combina canto e palavra falada, explorando os ricos trechos sonoros criados pelo compositor Leonardo Martinelli, originalmente, para a Exposição Cidadela. Com a integração de elementos de teatro de animação e música, a experiência busca despertar encantamento e curiosidade, promovendo momentos lúdicos repletos de histórias, sons e emoções.
Roda de conversa
Conduzida pela artista plástica e ilustradora Maria Ezou, a autora compartilha o processo criativo do livro, a conexão entre a exposição e a obra, e como as temáticas abordadas – corpo, casa e cidade – se relacionam com a infância e a construção de identidades. Além de refletir sobre a importância de conectar as crianças às suas emoções e à pluralidade social, a roda também abordará o impacto da arte e da literatura na promoção do autoconhecimento e da empatia. A atividade será aberta à todos os públicos, com ênfase no convite para professores, coordenadores pedagógicos e diretores de escolas públicas de ensino infantil da cidade.
Cidadela: o livro

O livro Cidadela, uma co-autoria da ilustradora e artista plástica Maria Ezou e da escritora Heloisa Pires Lima, foi pensado para transcender a literatura tradicional. Concebido como um livro-objeto-brinquedo, voltado para crianças de 4 a 8 anos, o livro, tridimensional e com janelas manuseáveis, brinca com a espacialidade, expandindo-se em diferentes direções, convidando o leitor a explorar o espaço físico e o imaginário. Abordando de forma interativa, o corpo, a casa e a cidade, o livro propõe a leitura colaborativa, podendo ser lido por duas ou mais pessoas, ao mesmo tempo, estimulando trocas afetivas e a construção coletiva de significados. O livro conta ainda com dispositivos pedagógicos, como audiodescrição e e-book, garantindo acessibilidade e ampliando as formas de interação.
Origem
A exposição que deu origem ao projeto literário Cidadela abriu as portas no SESC Pompeia, em 2022, e circulou pelas unidades da Caixa Cultural Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba; esteve na Galeria de Exposições Olga de Brito, em Jundiaí, e está, atualmente, no MACC – Museu de arte Contemporânea de Campinas. Em todas suas edições, até agora, atingiu o marco de mais de 64.000 visitantes. A exposição teve como base a ideia do corpo como uma espécie de cidadela, um território composto por diferentes espaços para sentimentos e sentidos. Composta por 15 esculturas “corpos-casas”, a instalação cria um ambiente imersivo, onde os visitantes podem experimentar cores, cheiros, sons e texturas que representavam diferentes estados emocionais. Este conceito artístico foi transportado para o livro, que se propõe a ampliar a experiência sensorial da exposição para o formato gráfico, mantendo a essência de ressignificar a relação entre corpo, emoções e espaços de convívio.
Mais informações sobre o Projeto Cidadela: https://www.exposicaocidadela.art/
Maria Ezou – Artista Visual para as Infâncias
Premiada artista, performer e educadora, Maria Ezou é porta-voz do movimento das artes visuais para as infâncias e trabalha o universo onírico e fantástico contando histórias imersivas e sensoriais. Com Licenciatura em Educação Artística (UNESP), chegou a cursar parte do Bacharelado em Artes Plásticas (FAAP) e tem formação em Cenografia. Em uma infância de liberdade, experimentação e integralidade com a natureza, Maria foi uma criança curiosa e apaixonada pelo funcionamento das coisas, dos corpos, dos fluxos e dos lugares. Encantamentos que se tornaram estruturantes em sua obra. Filha de mãe arquiteta, entrou em contato com a arquitetura vernacular muito cedo e, ainda criança, viajou com a família pela América Latina, quando conheceu as cosmogonias Inca e Maia. O avô lhe transmitiu a paixão pelos autômatos, em seu “incrível quarto de invenções”. A cozinha de sua avó materna foi uma de suas primeiras inspirações para as manualidades artísticas e a máquina de costura, de sua outra avó, daria vida às suas primeiras criações têxteis. Ezou dialoga com o biocentrismo ancestral, de seu país e continente, e é possível identificar, em sua obra, o corpo biocêntrico; as espacialidades e seus fluxos, além do aspecto político. De modo não óbvio, reverencia aspectos culturais comuns aos povos originários do Brasil e da América Latina e revisita saberes desses povos para propor um diálogo das esperanças. A lida com o tecido, entremeada com o fazer artístico – lógica presente em culturas latino-americanas – é um dos exemplos em sua obra. Os campos de atuação de Maria Ezou são as artes visuais, a performance e a instalação, com a presença recorrente de autômatos e objetos sensíveis. Ela respeita os tempos e o corpo expandido e integral das infâncias, por isso desenvolve obras analógicas e na escala das crianças. A artista das infâncias decoloniais, contempla diferentes contextos das infâncias. Entre seus trabalhos estão: Projeto Cidadela [Exposições: Cidadela-Corpo – Sesc Pompeia (2022), Cidadela Fotos – Circulação Minas Gerais, Brasília e São Paulo (2023), Cidadela – CAIXA Cultural Fortaleza, 2023/24]; Quadro bordado “Janelas do Céu”- vencedor do CONTRASTES MAB FAAP (2003); Performance “Fauna InFesta“ – exposição Augusto de Campos, no Sesc Pompéia (2016); Direção de arte dos espetáculos “A Ciranda do Villa“ – indicado aos prêmios FEMSA e Cooperativa Paulista de Teatro; “Os Saltimbancos“, (2008)- indicado ao prêmio FMSA (2008); “O Príncipe Feliz“ premiado pelo 13º Festival Cultura Inglesa (2009); “Grandes Pequeninos” Indicado ao Grammy Latino de Música (2010); “Mário e os Marias“, premiado pelo APCA de Melhor Espetáculo de Rua para Crianças (2012) e “Coágulo” – performance videoarte premiada no RUMOS Itaú Cultural (2021).
Heloisa Pires Lima
É uma das principais vozes da literatura infantil brasileira contemporânea, com reconhecida trajetória na promoção e divulgação da diversidade étnico-racial na literatura para crianças. Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora e escritora, tem se dedicado especialmente a obras que valorizam a cultura afro-brasileira e quilombola. Também educadora, sua produção literária é marcada pela sensibilidade poética e pelo compromisso social, buscando sempre apresentar narrativas que contribuam para a construção de identidades positivas e o combate ao racismo estrutural.
