Funks e pancadões podem ser proibidos em escolas de São Paulo

Um Projeto de Lei colocado em pauta na Assembleia Legislativa nesta semana deve causar polêmica num futuro próximo. Ele veda a reprodução de músicas e vídeos que contenham qualquer palavra, termo ou expressão de natureza pornográfica ou sexual, ou que descrevam, induzam ou instiguem a prática de atos libidinosos ou sexuais em todos os estabelecimentos de ensino públicos e privados, do Estado de São Paulo. Na prática, são os funks e pancadões, que invadiram as escolas paulistas.

É comum ver alunos com celulares ouvindo e vendo este tipo de som, como já relataram professores, pais e até jovens estudantes de escolas de Cotia à nossa reportagem.

Em escola pública virou prática ouvir este tipo de barulho e o projeto do deputado estadual Lucas Bove (PL) visa eliminar essa prática nociva aos jovens paulistas. Se o PL for aprovado pelos deputados e sancionado pelo governador Tarcísio de Freitas, ele pune escolas privadas com multas de 100 a 1.000 Ufesps. Se for em escola pública, os servidores responsáveis serão punidos até com demissão.

Resumo da justificativa do deputado: Infelizmente, tornaram-se comuns cenas de crianças e adolescentes ouvindo e reproduzindo coreografias
de músicas que trazem letras inapropriadas para essas faixas etárias, com palavras e expressões com conotação explicitamente sexual. Muitas, sem qualquer entendimento sobre o que estão fazendo, reproduzem gestos e posições que simulam a própria prática de atos sexuais. Ademais, a crescente sexualização infantil, gerada pela imersão dessas crianças em um universo musical em que conteúdos sexuais são tratados de forma banalizada, pode desencadear um grave e sério problema de aumento da exploração sexual infantil. Isso porque a reprodução de gestos e coreografias de cunho sexual, embora para a criança possa não ter qualquer significado, acaba por torná-la desprotegida contra possíveis abusos. Se, no dia a dia, a criança foi exposta recorrentemente a cenas em que a exposição de seu corpo a outras pessoas é tratada como
natural, ela não encarará como estranho uma situação em que um adulto se aproximar dela movido por intenção sexual.