Poema de Antônio dos Santos Camargo: Cria do Nada
Cria na morte porque nada é permanente,
Cria na eternidade porque tudo é transformação. Cria na vida porque nada é mais pertinente,
Cria no futuro porque tudo é evolução. Cria na vontade porque nada é indiferente,
Cria na ciência porque tudo tem explicação. Cria no ódio porque nada é transparente, Cria no amor porque tudo é atração
E cria, sobretudo, no seu fim iminente.
Assim, resignado, ele juntava tudo em que cria, Como se buscasse conforto n`alguma crença velada. Mas nada o sensibilizava, tudo era nostalgia.
A lembrança dos amigos, da família, da namorada… Quantos prantos, quantos risos, quanta rebeldia.
Tudo e nada se revezavam em sua agonia.
E, no momento fatal, viu sua vida descortinada, Do tudo que realizara ao nada que conhecia Pois, na natureza sábia, tudo é cria do nada.
*Antônio dos Santos Camargo, também conhecido como Toninho ou Cobra, é natural de Cotia, filho de família tradicional da Cidade. Antônio é nascido e criado em Cotia. É Bacharel em Química e, além de outras atividades, trabalhou durante 36 anos no segmento químico. Aposentou-se há 9 anos e decidiu dedicar-se mais ativamente a uma atividade que sempre lhe deu prazer: Escrever.
