Psicóloga Daniela Coutinho: Adolescentes e emoções: como ajudar seu filho a lidar com altos e baixos
Eles mudam rápido — e precisam mais do que nunca de escuta, acolhimento e orientação.
A adolescência é um período de intensas mudanças físicas, emocionais e sociais. É quando o corpo se transforma, a identidade começa a se formar e as emoções parecem uma montanha russa. Para muitos pais, pode ser um desafio entender o que está se passando com o filho ou filha — e é justamente nessa fase que os adolescentes mais precisam de apoio emocional.
Por que as emoções parecem tão intensas?
Do ponto de vista da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), as emoções estão diretamente ligadas aos pensamentos. Na adolescência, o cérebro ainda está em desenvolvimento, especialmente nas áreas responsáveis pelo controle emocional, tomada de decisão e regulação de impulsos. Isso significa que os adolescentes interpretam as situações de forma mais intensa, com pensamentos muitas vezes distorcidos, como:
“Ninguém gosta de mim.”
“Se eu falhar, todo mundo vai rir de mim.”
“Minha vida nunca vai melhorar.”
Esses pensamentos automáticos afetam o comportamento e o humor, podendo levar a quadros de ansiedade, tristeza profunda ou irritabilidade frequente.
Como os pais podem ajudar?
Muitos conflitos entre pais e filhos nessa fase surgem não por má intenção, mas por dificuldade de comunicação. Aqui vão algumas estratégias, baseadas na TCC, para fortalecer esse vínculo e ajudar seu filho a lidar melhor com as emoções:
- Escute sem julgar
Às vezes, o adolescente só quer ser ouvido. Evite interromper com críticas ou conselhos imediatos. Em vez de dizer “Isso é besteira”, tente “Entendi que isso te deixou mal, quer me contar mais?”. - Ajude a nomear emoções
Muitos adolescentes sentem, mas não sabem expressar o que sentem. Você pode perguntar: “Você está mais irritado ou triste?” ou “O que passou pela sua cabeça quando isso aconteceu?” - Trabalhe os pensamentos distorcidos
Mostre outras perspectivas. Se seu filho disser “Todo mundo me odeia”, pergunte: “Será que é todo mundo mesmo? Ou foi alguém específico que te tratou mal?” Essa reestruturação cognitiva ajuda a reduzir a intensidade da emoção. - Reforce comportamentos positivos
Reconheça pequenos progressos. Um elogio sincero pode fazer mais diferença do que parece. - Ofereça segurança e limites
Adolescentes precisam de liberdade com responsabilidade. Estabelecer limites claros, com diálogo e respeito, transmite cuidado e estrutura emocional.
Quando buscar ajuda profissional?
É comum que adolescentes tenham variações de humor. No entanto, sinais como isolamento excessivo, agressividade, queda acentuada no rendimento escolar, mudanças no sono ou alimentação, e falas negativas frequentes sobre si mesmo podem indicar algo mais sério.
A psicoterapia com abordagem TCC é eficaz para ajudar adolescentes a entenderem suas emoções, lidarem com pressões sociais, desenvolverem autoestima e habilidades para resolver problemas de forma mais saudável.
Conclusão
A adolescência é um período de construção — e ter adultos por perto que escutam, acolhem e orientam faz toda a diferença. Seu filho não precisa ser perfeito, e você também não. O mais importante é estar presente com empatia, paciência e disposição para aprender juntos.
Se você percebe que está difícil lidar com os desafios dessa fase, considere procurar apoio psicológico. Cuidar do emocional dos adolescentes é investir no futuro deles — e na qualidade do relacionamento familiar.
Coloco-me à disposição para ajudá-lo a enfrentar e gerenciar os desafios relacionados a maternidade outras questões de saúde mental.
*Daniela Coutinho (CRP 06/173583) escreve no Jornal Cotia Agora. Contatos: www.psicologadanielacoutinho.com.br – Instagram @psicologadanielacoutinho – WhatsApp 9-4164-0397.
