Coluna de Rafael Oliveira: The Killers (Wonderful Wonderful), entre a glória e a vulnerabilidade no deserto da alma
Beleza, Garimpeiro na Área. Bora mergulhar no The Killers – Wonderful Wonderful (2017), que é o quinto álbum de estúdio da banda. Aqui eles trocaram um pouco a pegada stadium rock tradicional por algo mais sombrio, pessoal e até experimental. É um disco íntimo de Brandon Flowers (vocalista), muito influenciado pela luta da esposa contra a depressão — então, é cheio de camadas emocionais, mas sem perder os refrões que grudam.
Faixa a Faixa — a experiência de ouvir
Wonderful Wonderful (faixa-título) – Começo atmosférico, quase tribal. Um baixo sombrio e sopros de vento no deserto. Parece um hino chamando a banda pro palco. A letra é como um mantra: um pedido de força e esperança. Você sente que algo grande vai acontecer.
The Man – Aqui muda o jogo: groove funk, cheio de ironia. Brandon Flowers canta como se fosse o cara mais confiante do mundo, mas o tom é paródia — uma crítica à masculinidade tóxica. É divertida, dançante, ótima pra levantar o astral.
Rut – Essa é de cortar. Brandon canta da perspectiva da esposa, enfrentando a depressão. É delicada, mas com um refrão cheio de resiliência: “Don’t give up on me”. Um synth-pop emocional, daqueles que você ouve no fone e sente no peito.
Life to Come – Quase uma prece. Guitarras abertas, clima de U2 total. Brandon fala de redenção e promessa de dias melhores. É música de estrada, daquelas que você bota no carro olhando o horizonte.
Run for Cover – Aqui vem o lado mais Killers clássico: rápida, urgente, guitarras afiadas, refrão explosivo. É quase um retorno ao Hot Fuss (2004), mas com maturidade. É a música que mais dá aquela vontade de sair correndo com fones no ouvido.
Tyson vs. Douglas – Faixa cheia de metáforas. Brandon revisita a luta em que Mike Tyson perdeu pra Buster Douglas em 1990. É sobre ver heróis caírem, lidar com a queda de ídolos e a fragilidade da vida. Som sombrio, meio balada dramática, mas com impacto.
Some Kind of Love – A faixa mais suave, construída em cima de um tema musical do Brian Eno. É quase etérea, delicada. Brandon canta de forma vulnerável, como uma carta de amor e apoio à esposa. É aquele momento de silêncio, introspecção e esperança.
Out of My Mind – Mais leve, divertida, quase brincalhona. Brandon cita ícones pop (Dylan, Nirvana, Presley) enquanto canta sobre obsessão e desejo. Quebra um pouco a seriedade do disco, trazendo respiro.
The Calling – Um baixo poderoso, vocal quase narrado, e referências bíblicas. É pesada, com uma energia quase gospel-blues. Parece que Brandon tá pregando no meio de uma tempestade elétrica.
Have All the Songs Been Written? – Fecho melancólico. Participação de Mark Knopfler (Dire Straits) na guitarra — e você sente o toque refinado dele. É uma reflexão sobre criatividade, sobre se ainda há algo novo a dizer no rock. Fecha o disco como um suspiro.
“Run For Cover” eu escolho para fazer parte da setlist do Programa Garimpo da Rádio Meteleco – https://meteleco.net – semanalmente exibido às 16hs de segundas as sextas-feiras.
• É a mais lembrada por fãs e crítica como o ponto alto do álbum.
• Tem aquela urgência Killers clássica que lembra a fase de Sam’s Town e Hot Fuss, com refrão explosivo e guitarras cortantes.
• Foi escrita originalmente na época de Day & Age (2008), mas só saiu em 2017 — e soa como se tivesse ficado marinando até ficar perfeita.
• É direta, energética e funciona tanto no fone quanto em show de estádio.
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A Boa Experiência de Ouvir
• O Wonderful Wonderful não é só um álbum, é uma viagem emocional.
• Ele começa grandioso, desce em feridas íntimas, sobe em refrões catárticos e fecha num tom contemplativo.
• É um trabalho que mescla força e fragilidade. Você sente a banda expandindo sua sonoridade, sem perder identidade.
• Se os Killers sempre foram a trilha de festas e estádios, aqui eles são também a trilha da cura e da vulnerabilidade.
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