Clube de Boxe de Cotia comemora um ano da reabertura

O Clube de Boxe de Cotia comemorou na sexta-feira, 10, seu primeiro aniversário de reabertura, com a presença de boxeadores, personalidades da cidade e da família do grande idealizador do clube, o saudoso pugilista Santista.

O clube neste um ano conseguiu recrutar grande número de novos e antigos praticantes de boxe. Jovens, mulheres e adultos praticam o esporte, seja apenas para manter o bom condicionamento físico ou para competir em torneios pela região.

Antes da reinauguração, o clube ficou mais de um ano fechado, por falta de estrutura e apoio da prefeitura. Com a morte de Santista, o filho dele, Ricardo Pardal, batalhou para que o clube fosse reaberto. Teve o apoio de muitos comerciantes da cidade e da prefeitura. Fez um abaixo assinado para coletar assinaturas, como forma de sensibilizar o prefeito Carlão Camargo para que ajudasse a reabrir o clube. O sonho da volta do clube se concretizou no final de 2009 e a reabertura oficial se deu em janeiro deste ano.

Ricardo Pardal organizou o evento para sacramentar a evolução do boxe cotiano, que vem evoluindo e promete surpreender em 2011.

80 atletas estão atualmente no clube, entre homens e mulheres.

Uma das presenças marcantes da festa de aniversário foi da campeã brasileira de boxe, Daniele Bastieri, que defende o Palmeiras e briga por uma vaga para as Olimpíadas de Londres, em 2012. Ela ganhou recentemente da campeã mundial, Roseli Feitosa. Daniele também treina no Clube de Boxe de Cotia.

A festa aconteceu no Bar da Árvore, no Jardim Adelina.

Quem foi Santista

Ele possuía inúmeros títulos, diplomas e certificados, fez de tudo um pouco na vida. Sua história está intimamente ligada à da própria cidade. Veio para Cotia com dez anos, em 1950. No início, organizava corridas, depois, inaugurou a academia de boxe.
Para fazer a preparação física, saia correndo com os alunos pelas ruas da cidade.

Participou de muitas lutas pela TV Gazeta. Além de lutador e organizador, ele era juiz, jurado e treinador de campeões. Como boxeador, ganhou inúmeros títulos, entre eles o de vice-campeão paulista e campeão paranaense, categoria peso-médio.

Santista emprestava luvas, amarrava sacos de areia para treinar, pedia doações para algumas pessoas, tudo isso para manter o vivo o esporte. Pagou do próprio bolso muitas vezes, os materiais de treinamento.

Santista foi durante vinte e cinco anos, fotógrafo de casamentos. Levava os filmes para serem revelados em Pinheiros, já que na época a revelação de filmes era muito complexa e não existia em Cotia.

Muitos se lembram do Santista chefe e fundador do Grupo de Escoteiros de Cotia, que fundou em 1960. Entre os escoteiros que passaram pelo grupo, alguns conhecidos nos dias de hoje, como o ex-prefeito Quinzinho Pedroso, os irmãos Hélio e Álvaro Pedroso, dos Supermercados Pedroso, e até o popular Fenemê.

O grupo de escoteiros surgiu da necessidade de tirar as crianças da rua. Os acampamentos eram no Cemucam, Pedreira de Itapevi, Reserva Florestal de Cotia e outros locais próximos à natureza. O grupo teve a maior tropa de escoteiros do Estado de São Paulo.
Santista ficou alguns dias internado em um hospital com problemas de saúde e morreu no final de dezembro de 2008.