Comércios de Cotia agonizam e fecham as portas em meio à crise econômica e falta de apoio
Muitos leitores tem nos questionado sobre o fechamento de alguns comércios em Cotia, principalmente na região central. Só em 2026 foram aproximadamente 12 nas principais ruas do centro. Mas, nos bairros a situação é semelhante e a cada semana, mais comerciantes baixam as portas.
E a coisa pode ficar mais complicada, pois há boatos de que pelo menos duas grandes lojas do centro devem encerrar as atividades. O cenário é desolador de tantos pontos com as portas fechadas, com placas de aluga-se.
Tudo começou ainda em 2025, quando a Marabraz, uma grande rede moveleira encerrou as atividades na cidade, depois de muitos anos e o prédio segue fechado até hoje. Na sua cola vieram mais lojas e uma das últimas foi a Kallan, que vendia sapatos e acessórios.
Mas, o que vem causando o fechamento de tantas lojas em Cotia? São pelo menos três pontos: a economia brasileira se despedaçando, onde grandes empresas estão optando em até se mudarem para o Paraguay, em um cenário em que tudo sobe, desde os combustíveis até a cesta básica e o governo federal ainda afirma que o país está crescendo.
Outro fator para o fechamento em Cotia é a concorrência com as vendas online. Muitas pessoas preferem a comodidade de comprar pela internet e receber o produto em casa, do que sair e procurar nas lojas.
Mas, o fator determinante é o aluguel alto que donos de imóveis pedem aos inquilinos. Para se ter uma ideia, os valores de aluguéis somente no centro de Cotia variam de R$ 18 mil a R$ 60 mil. Há o caso de uma grande loja de roupas em que é pago R$ 80 mil reais mensais, ou seja, tem que vender muito para arcar com os custos, isso sem contar os impostos, funcionários, água, energia, internet e demais despesas.
Está difícil manter as portas abertas em Cotia, segundo muitos comerciantes ouvidos pelo Jornal Cotia Agora, que já publicou há dois anos o início deste cenário, que começava a despontar em 2024.
De um lado, a maioria dos donos de imóveis são irredutíveis em baixar o valor. Há quem diga que, para não ficar com o ponto vazio, acabou dando descontos para o inquilino, tendo um exemplo da redução de R$ 17 mil para R$ 12 mil mensais.
Se comércios fecham, também há outro vilão da economia brasileira, o desemprego. Os governos federal, estadual e municipal insistem em mentir para a população quando saem os números do Caged, que é um índice do Ministério do Trabalho que aponta os empregos formais criados e as demissões no país.
No caso de Cotia, a prefeitura se engrandece em dizer que Cotia é uma das cidades que mais gera empregos no estado. Pode ser, mas também é uma das que mais demitem. O tal de ‘saldo positivo’ é um número mentiroso. Se uma cidade cria 2 mil cargos em um mês, mas demite 1.900 empregados, alguma coisa está errada em comemorar os 100 cargos positivos.
Mas, voltando ao fechamento das lojas, os comerciantes ouvidos pelo Jornal Cotia Agora não tem amparo algum de qualquer órgão.
“Nunca tive nenhum apoio. O comércio em Cotia não tem representantes, uma associação que nos ajude neste momento de crise, esse desgoverno federal não dá um apoio, pelo contrário, a carga tributária em cima de grandes, médias e pequenas empresas é enorme, daí fica difícil“, comentou um empresário que pediu anonimato e também está com os dias contados em Cotia.
O Jornal Cotia Agora procurou a Prefeitura de Cotia e a Associação Comercial, questionando se estão cientes da situação e o que eles podem fazer para amenizar a crise. Ninguém respondeu.




