Fim de vistorias veiculares pode aumentar fraudes no país

O Sindicato dos Servidores Públicos do Detran MS, juntamente com a Federação Nacional dos Sindicatos Estaduais dos Servidores dos Detrans, alertam a sociedade brasileira sobre o risco do aumento de adulterações e fraudes veiculares em todo o país ao se posicionar contra a recente lei 3965/2021, aprovada pelo Congresso Nacional que aguarda sanção do presidente da República.

Segundo Clayberson Ferraz, presidente da Federação, se não houver veto à parte da nova lei, quem vender ou adquirir um automóvel no Brasil não precisará mais submeter o veículo a uma inspeção obrigatória, realizada pelos Detrans, ou por empresas credenciadas, conforme estabelece atualmente o CTB – Código de Trânsito Brasileiro. Bastará uma “Declaração de procedência” assinada entre as partes (comprador e vendedor) para atestar que o veículo transacionado não possui adulterações ou modificações em sua estrutura, ou detenham componentes de origem criminosa.

De acordo com Ferraz, sem a realização da vistoria de transferência, haverá um crescimento do número de automóveis furtados e roubados, circulando livremente em todo o país, afetando a segurança pública e a propriedade privada de quem investir dinheiro na aquisição de um carro, prejudicando sobretudo às pessoas mais vulneráveis e sem afinidade com a tecnologia.

Bruno Alves, diretor jurídico da Fetran e presidente do Sindetran MS, disse que outra consequência direta com o fim da vistoria realizada pelos Detrans, será o crescimento do comércio ilegal de peças usadas, de veículos dublês, e de peças irregulares (como motores e câmbios recondicionados e vendidos como novos em veículos 0km, por exemplo), facilitando a atuação quadrilhas e do crime organizado em todo o país, elevando inclusive os preços da contratação de seguros automotivos.

Para ele, a possibilidade de eventuais embaraços jurídicos envolvendo compradores de veículos, fará com que o brasileiro médio, pense duas vezes em adquirir um carro usado para não correr o risco de perder o dinheiro investido na compra do seu primeiro automóvel, que no Brasil quase sempre é o seminovo.

Essa nova lei, se sancionada integralmente pelo presidente, trará impactos profundos num importante seguimento da economia brasileira e de uma exagerada exposição do consumidor ao risco, afirmou Bruno Alves.

Durante toda a semana, antes do recesso junino, diretores da Fetran, estiveram em Brasília, onde realizaram uma série de audiências com diversas autoridades do Poder Executivo da União, com vistas a vetar parcialmente o PL.

No Congresso Nacional, a Fetran, relizou reuniões técnicas nos gabinetes dos diversos líderes de partidos, nas bancadas do governo e da oposição, no senado e na Câmara dos deputados, para esclarecer e reforçar a posição contrária ao inciso V, do art. 123, da proposta.

Se for sancionada, a nova lei entrará em vigor após 90 dias, caso haja veto parcial ou total, pelo Presidente, a matéria voltará ao Congresso que poderá manter ou derrubar o veto do governo, em seção conjunta a ser realizada entre a Câmara e o Senado.

Do Diário Digital
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