O Pedal como Antídoto – por Manoel Lopes
Se você mora em Cotia e região, sabe que a rotina por aqui não é brincadeira. Entre o corre do trabalho e o estresse do trânsito, é fácil a mente “entrar no vermelho”. É o que os especialistas chamam de Burnout, mas que a gente sente como um esgotamento que tira toda a nossa vontade. Para quem está nessa situação, a bicicleta aparece não apenas como um esporte, mas como uma ferramenta de sobrevivência.
Sabe aquele “flow” que a gente sente quando o giro encaixa e o corpo parece que vai no automático? Isso tem uma explicação que vai além do condicionamento físico. Quando estamos lá fora, o corpo libera endorfina e dopamina, os hormônios que dão aquela sensação de dever cumprido e prazer que o Burnout costuma roubar da gente.
Mais do que isso, pedalar ajuda a “queimar” o cortisol, que é o hormônio do estresse. Quem está no limite do esgotamento vive com o cortisol lá no alto, o que detona o sono e a paciência. O pedal sinaliza para o corpo que o estresse acabou, permitindo que você realmente relaxe quando chega em casa.
Muita gente fala em meditação para o Burnout, mas para quem é agitado, ficar parado é difícil. O ciclismo é uma meditação ativa. No pedal, você é obrigado a focar no presente: o equilíbrio, o buraco na via, a marcha certa para a subida que vem ali na frente. Esse foco “limpa” a cabeça, porque não sobra espaço para pensar no e-mail que não foi respondido ou na reunião de amanhã.
E aqui em Cotia temos o privilégio das rotas mais arborizadas. Trocar o ar condicionado do escritório pelo ar fresco e o visual das nossas estradas rurais é um santo remédio. Esse contato com o verde restaura nossa capacidade de pensar com clareza, algo que o excesso de telas destrói.
O Burnout faz a gente querer se isolar, mas o ciclismo nos empurra para o grupo. Os grupos de pedal da nossa cidade são verdadeiras comunidades. No pelotão, ninguém liga para o seu cargo ou para o tamanho da sua meta; o que importa é o companheirismo, a ajuda na subida e a resenha depois do treino. Esse senso de pertencimento é fundamental para resgatar quem se sente perdido no caos profissional.
Se você está se sentindo no limite, não encare o ciclismo como mais uma meta ou cobrança. A ideia é buscar liberdade. Para quem quer começar a pedalar sem estresse, uma excelente opção em nossa cidade é o Parque Cemucam. Com suas trilhas seguras e contato direto com a natureza é o lugar perfeito para dar os primeiros giros e sentir o alívio mental que o esporte proporciona.
Como ciclista, noto diariamente na pele como pedalar faz bem; é o meu momento de clareza que impacta diretamente na minha produtividade e equilíbrio na atividade profissional. Vale ressaltar que as observações médicas citadas neste texto não são baseadas em um estudo próprio, mas sim advindas de conceitos médicos pesquisados na internet e fundamentados em literatura disponível. A mensagem não é uma receita e sim um convite. Bora pedalar!!

*Manoel Lopes é autor de Na Trilha dos Deuses, livro que narra a jornada de um ciclista em busca da sustentabilidade, promovendo a conscientização ambiental e práticas mais responsáveis no cotidiano. Como escritor e colunista, se destaca em Cotia, influenciando positivamente a comunidade e promovendo uma cidade mais sustentável e conectada com questões ambientais. Escreve semanalmente no Jornal Cotia Agora.

