Psicóloga Gisele Santos: Limite como prática de cuidado
Todo mundo tem limites. Às vezes são soltos, às vezes rígidos, e nem sempre saudáveis.
Limite não é se fechar nem ignorar a necessidade do outro, é entender o que é meu e o que é da outra pessoa. É quando nos permitimos dizer, com intenção e responsabilidade: “não posso, não quero, não vou”.
Existem diferentes formas de expressar e estruturar os limites:
Limites soltos. A gente vai deixando tudo passar, vai cedendo, vai aguentando. Diz sim quando queria dizer não. Não porque quer, mas porque aprendeu que era assim que dava para ser gente. O corpo sente: é o cansaço que não passa, ansiedade constante, energia que se esgota.
Limites rígidos: nada entra e nada sai. Quando temos dificuldade em pedir ajuda, quando dizemos não para tudo e evitamos proximidade. É proteção aprendida na dor. Funciona por um tempo, mas endurece. A vida fica estreita, os relacionamentos ficam distantes, e o corpo permanece em alerta, tenso, pronto para se defender.
E tem os limites saudáveis, que não são muros nem portais que deixam tudo entrar. Eles são vivos, como membranas que permitem trocas, escolhem o que entra e o que sai. Sabe dizer não sem machucar e sim sem se abandonar. Protege sem afastar. Vincula sem sufocar.
Limites fazem parte da vida e estão:
• No corpo, quando respeitamos e identificamos nossas necessidades.
• No emocional, quando sentimos sem nos afogar no sentimento do outro.
• No mental, quando reconhecemos o que é nosso pensamento e o que não é, sem nos sobrecarregar.
• Nos recursos, quando usamos tempo, energia e dinheiro de forma consciente e equilibrada.
Reconstruir limites não é só falar “sim” ou “não”. Começa no corpo, que nos avisa antes da mente. Aprender a escutar o aperto, o desconforto e mesmo a vontade de se afastar, nos ajuda a retomar a própria integridade.
Práticas como respiração, movimento consciente, terapias corporais e toques respeitosos fortalecem o senso de segurança e de pertencimento ao próprio corpo. Quando a gente volta a se escutar, o limite ganha chão. E o que falamos, fazemos e sentimos passa a ter sustentação e coerência.
Respeitar limites é cuidado: cuidado consigo e com o outro. É não invadir, não exigir, não ultrapassar. Limite não separa, não isola, ele organiza e sustenta.
*Gisele Santos (CRP 06/139385) é psicóloga, palestrante, escritora, faz terapia on-line – Cuidado Informado sobre Trauma| Regulação emocional
Mapeamento Perfil Comportamental. Escreve no Jornal Cotia Agora.
Instagram: @giselesantospsi
