Anatel teme que país fique sem internet com construção de usina próximo a cabos no mar
A construção da usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza, foi aprovada pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU-CE), no dia 20, contrariando recomendações da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações por riscos envolvendo o funcionamento da internet no Brasil.
A Cagece – Companhia de Água e Esgoto do Ceará, empresa estatal responsável pelo projeto da usina que torna água do mar em potável, diz que a usina “não apresenta nenhum risco ao funcionamento dos cabos submarinos localizados na Praia do Futuro”.
A Praia do Futuro é um dos locais no Brasil mais próximos da Europa e por isso é o lugar que primeiro recebe cabos de fibra ótica do continente; a partir da capital cearense, esses cabos vão para RJ, SP e países da América Latina. Ou seja, se os cabos foram rompidos no Ceará, o serviço de internet pode ser afetado em todo o continente, deixando usuários offline ou com internet lenta.
O parecer favorável da União divulgado pela Cagece altera a distância das tubulações dos cabos de internet. Em uma primeira versão do projeto, o intuito era posicionar as tubulações a 40 metros dos cabos de fibra ótica. A pedido da Anatel, a distância foi alterada para 567 metros. A agência argumenta, entretanto, que essa é apenas uma das 11 recomendações do International Cable Protection Committee.
A Anatel disse que informou sua oposição à obra em setembro de 2022, mas que foi notificada sobre a alteração no projeto em agosto de 2023.
Em parecer técnico emitido no dia 15, a Anatel manteve oposição à construção da usina e recomendou que o projeto fosse construído em outro local.
E o que acontece agora? Segundo a Cagece, o próximo passo é solicitar, junto à Semace – Superintendência Estadual do Meio Ambiente, o requerimento da emissão da Licença de Instalação da planta. Após finalizado esta etapa, a construção da planta deverá ser iniciada até marco de 2024.
Do G1
