Coluna de Marcos Martinez (Professor Marcão): Os coletores de lixo

“Subnutrido de beleza, meu cachorro-poema vai farejando poesia em tudo, pois nunca se sabe quanto tesouro andará desperdiçado por aí… Quanto filhotinho de estrela atirado no lixo!”- Mário Quintana

Na última sexta-feira, no início da noite, uma chuva torrencial tomou conta do céu e da terra, muita chuva e trovões assustadores. Diante de tanto barulho, confundimos um trovão estrondoso, como se tivesse vindo do caminhão de lixo. O estrodo não veio do caminhão de lixo.

Levantei a cabeça ligeiramente, olhei pela janela da sala, e observei quatro coletores de lixo com um roupa de serviço verde e reluzente. Conservavam, entre si, cantavam e faziam brincadeiras entre eles. Ao passar embaixo de um poste a luz refletiu em seus rostos, e revelou belos sorrisos, agiam como se não estivessem debaixo de um temporal.

Lembrei-me de Gene Kelly, Cantando na chuva.

*Marcos Martinez é escritor e formado em História; atuou na Secretaria da Educação de Cotia de 2000 a 2008. Atualmente presta trabalho na Fundação Gentil, na elaboração e implantação de projetos educacionais para o ensino fundamental. Escreveu os livros Memória & imagem e Hospital de Cotia: um símbolo. Escreve no Jornal Cotia Agora.