Coluna de Rafael Oliveira: Metallica e o novo disco, 72 Seasons, retorno às origens
Uma das bandas que tenho uma profunda admiração pelo trabalho é, sem dúvida, o Metallica, e no mês de abril o grupo lançou seu mais novo disco – “72 Seasons” que é tema da nossa resenha de hoje.
Segundo o nosso amigo colunista Igor Miranda um dos expoentes da cultura musical é a primeira vez em 35 anos que a banda não consegue atingir o topo das paradas de sucesso pela Billboard 200 (principal parada musical nos EUA), ocupando somente a segunda posição, claro tendo vendido na primeira semana 146 mil cópias do álbum.
Ouvindo o disco é possível notar aquilo que já vinha acontecendo a bastante tempo com a banda, a sua limitação criativa, muitos dos timbres e da sonoridade está presente em quase todo álbum e tambem no disco anterior e também ainda mais em outros discos mais longos, a banda mantém o estilo de gravar longas músicas com 7 ou 8 minutos, tudo normal para Metallica e sem sair da zona de conforto para os integrantes que hoje estão beirando os 60 anos.
Apesar da mesmice musical existem pontos interessantes nas faixas do disco para começar com as 3 canções superaceleradas que dão nota do disco, a primeira – “72 Seasons” a canção que é faixa-título do disco já mostra o estilo onde os vocais de James se misturam com a bateria de Lars, até entrar os arranjos da guitarra de Kirk essa intimidade e organização das músicas é muito semelhante aos discos anteriores.
Confesso a vocês que o guitarrista Kirk é extremamente limitado e com pouca originalidade, principalmente para uma banda como o peso do Metallica e com uma temática que poderia explorar e se aventurar em sons mais ousados.
“Shadows Follow” ganha um clipe bastante hilário que vamos colocar nos cards logo abaixo, mas o disco continua sendo o mesmo, apesar das passagens aceleradas e da potência da bateria que faz um enorme esforço para manter a qualidade do disco, a faixa seguinte “Screaming Suicide” é uma música para qual o YouTube colocou uma mensagem imensa sobre os temas de suicídio e automutilação, procurei ver a letra por completo nestes sites de música que vemos na internet e sinceramente pelo clipe me chamou mais atenção uma pitada experimental e rítmica de Kirk com a bateria em um belo solo do que a letra em sim.
Não tem como você perder tempo com besteirol. Essa canção ficou muito boa para a terceira faixa.
Na quarta faixa os sons do instrumento baixo elétrico de Trujillo aparecem em combinação com a bateria em som mais “surdo”, outra pitada experimental para a canção “Sleepwalk My Life”¸mas que perde logo o brilho com a mesmice de sempre do Metallica, poderia ser o rompimento musical nesse momento da banda.
A identidade clássica da banda é definida da seguinte forma: baterias rápidas, guitarras cadenciadas em alguns momentos frenéticas e vocais bem arranjados.
Desde sua formação o Metallica tem suas origens no “thrash metal” pesado e bem sujão, a guitarra estilo OGV tem sido o referencial para o frontman ajustar os seus sons desde sempre.
É claro que as gritarias que era possível ouvir nos primeiros discos da Banda Metallica infelizmente ficaram para trás, até pelo esforço vocal imenso que o James (vocal) teria que fazer nos dias de hoje.
Na quinta faixa – “You Must Burn” eu que critiquei o guitarrista, vejo um longo solo conduzido pelo próprio Kirk Hammett a grande parte da música, sinceramente tem algumas notas quase embaladas, mas vejo não convenceu o estilo.
Agora se você ouvir a canção a seguir “Lux Aeterna” essa sim tem as origens do Metallica, me fez lembrar um pouco do “speed metal” e também em tons mais acelerados que se assemelham. Som perfeito, icônico e que mostrou a guitarra alucinada do Kirk, dessa vez tiro chapéu para ele e recomendo o disco, e coloco na minha setlist no Programa Garimpo da Rádio Meteleco – https://meteleco.net – semanalmente exibido as 16hs de segundas as sextas-feiras. Músicas escolhida a dedo.
Esse disco apesar de ser gravado em momento da pandemia eu confesso ser melhor e mais bem elaborado que o antecessor que possui boas canções, mas este supera em peso pela velocidade e o ritmo empregado na maioria das canções que, mesmos longas se mantêm com um padrão bem elevado, apesar de algumas “mesmices” repetidas e alguns arranjos já conhecidos de discos anteriores.
Há notas de que o disco tenha trazido a dinâmica de ressurgimento do thrash metal um pouco mais sofisticado, como surgir as origens que estão presentes nas canções intermediárias do disco.
Os clipes continuam entre os melhores da banda. O disco recebeu esse nome como um fato curioso, representa os primeiros 18 anos de vida de um ser humano, talvez nisso o James que também é um grande letrista tenha se inspirado a trazer temas que vivenciou junto aos colegas do grupo, assim como as glórias, dores, tristezas, angústias, juventude e outros assuntos.
As faixas seguintes “Crown Of Barbed Wire” e “Chasing Light” lembram algumas canções do Hardwired To Self-Destruct, a segunda canção volta aos solos de guitarras alucinados do Kirk.
A faixa “If Darkness Had a Son” surpreende com uma camada rítmica quebrando um certo tipo de padrão da banda, o que mostra que a banda pode fazer algo novo sem perder a familiaridade dos elementos que já usa convencionalmente.
Faltando 3 músicas para o fim do disco: “Too Far Gone?” mantém o PIC alto do disco, me surpreendeu o clipe da canção seguinte “Room Of Mirrors” que também no card logo abaixo para quem gosta de ver vídeos de clipes musicais.
Fechamos com a música mais longa do disco “Inamorata” 11 minutos de música e que foi comentário de muitos canais de música na internet vocalista da banda, conta que essa “parceira” mencionada na música é a personificação de sentimentos como miséria, angústia, tristeza ou raiva, e a letra em si é um relato de como é lidar com essa “companhia”.
Conheça mais sobre esse trabalho com os seguintes temas relacionados:
- GHOST – BANDA SUECA E SEU PAPADO
- PEARL JAM DISCO GIGATON
- JUDAS PRIEST O SPEED METAL VIVO
- A BANDA BARONESS E O EXCELENTE TRABALHO COM DISCO GOLD & GREY
- RIVAL SONS – FERAL ROOTS
- STONE TEMPLE PILOTS – DISCO PERDIDA
Vamos ao disco:

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*Rafael S. de Oliveira – Mórmon/SUD – Com oficio de Elder, Diretor de Assuntos Públicos e Especialista de Bem Estar, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Vice-Presidente – O Observatório: Associação de Controle Social e Políticas Públicas da Zona Oeste de SP (mandato 2020-2023). Técnico em Políticas Públicas pelo PSDB (Partido da Social Democracia do Brasil), Engenheiro de Produção e ex-gestor por 3 grandes empresas (Luft Logistics, IGO SP e TCI BPO). Apresentador e Produtor pela Rádio Meteleco.Net (Programa Garimpo) e Colunista no Jornal Cotia Agora (Caderno de Música, Discos, Experiencias e Cultura).
