Debatedores alertam para violência contra jornalistas durante eleições

A presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, Patrícia Blanco, afirmou nesta segunda-feira (6), durante audiência pública, que a violência contra a imprensa ganhou novos contornos com a disseminação de ataques coordenados nas redes sociais e o uso da inteligência artificial para desinformação.

O CCS debateu formas de combate à violência contra jornalistas e comunicadores, tendo como foco as eleições de 2026.

Patrícia citou levantamento da Coalizão em Defesa do Jornalismo (que registrou mais de 57 mil ataques digitais durante a campanha municipal de 2024) e dados da Abert – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, segundo os quais as menções agressivas a jornalistas cresceram 35% em 2025, chegando a cerca de 900 mil registros.

Eleições 2026
Representante do Ministério da Justiça, Danyelle Carvalho explicou como vai funcionar o grupo de trabalho criado no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais para acompanhar as eleições.

De acordo com ela, o colegiado reunirá órgãos públicos e entidades da sociedade civil para monitorar denúncias, identificar padrões de violência e aprimorar a resposta institucional aos casos.

A secretária-executiva do observatório, Cintia Sogayar, explicou que as denúncias poderão ser encaminhadas pela plataforma FalaBR, do governo federal, e terão acompanhamento específico durante o período eleitoral.

Direito à informação
Para o presidente do Comitê Editorial e de Programação da Empresa Brasil de Comunicação, Pedro Vilela, a segurança dos profissionais da comunicação deve ser tratada como uma garantia do direito coletivo à informação, e não apenas como uma demanda da categoria.

Ele observou que o relatório mais recente da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas registrou 144 casos de violência contra jornalistas em 2024. Para Vilela, as eleições funcionam como um acelerador dessas agressões.

Já o diretor da Repórteres sem Fronteiras para a América Latina, Artur Romeu, lembrou que a entidade monitorou mais de 3 milhões de ataques nas redes sociais durante o processo eleitoral de 2022. Ele defendeu que o Estado aperfeiçoe mecanismos permanentes de prevenção e responsabilização.

Assédio judicial
A fundadora e diretora-executiva do Instituto Tornavoz, Charlene Nagae, chamou a atenção para o crescimento do assédio judicial contra jornalistas, com casos de ações legais coordenadas e pedidos indenizatórios usados para intimidar profissionais e veículos de comunicação.

Charlene defendeu o fortalecimento do observatório, a responsabilização dos autores desses ataques e a aprovação de medidas de proteção ao exercício do jornalismo.

Fonte: Agência Câmara de Notícias