Pedalar Mais – O que você precisa saber antes de viajar. Por Manoel Lopes

Viajar com a bicicleta se tornou cada vez mais comum entre ciclistas que desejam levar sua magrela para novas experiências, seja uma cicloviagem, uma competição ou simplesmente para aproveitar um destino com mais mobilidade e liberdade. Mas, apesar do crescimento do interesse, ainda existe muita dúvida sobre como transportar a bicicleta em ônibus e aviões, tanto em viagens nacionais quanto internacionais.

A boa notícia é que é possível viajar com sua bike em praticamente qualquer modal. A má notícia é que as regras mudam bastante dependendo da empresa de ônibus, da companhia aérea e até do trajeto. Por isso, planejar faz toda a diferença.

Transporte rodoviário: o que esperar dos ônibus – No Brasil, ainda não existe uma lei federal que obrigue todas as viações a aceitar bicicletas no bagageiro, mas muitas empresas já permitem, desde que a bike esteja bem embalada e parcialmente desmontada. Em geral, vale a regra do bom senso e do espaço disponível:

• Peso aproximado permitido: até 30 kg.
• Dimensão máxima comum: cerca de 1,3 m, o que exige remover ao menos as rodas e girar o guidão.
• Algumas empresas cobram taxa, outras não.
• E quase todas recomendam, ou exigem, que o ciclista reserve com antecedência o espaço no bagageiro.

Ou seja: antes de comprar sua passagem, vale sempre ligar para a empresa e perguntar como eles lidam com bicicletas. Evita frustração e garante viagem tranquila.

Transporte aéreo nacional e internacional – As regras são mais claras, mas nem sempre fáceis. No avião, as companhias têm políticas específicas para o transporte de bicicletas. A primeira boa notícia é que todas permitem o transporte, a segunda é que o ciclista precisa seguir algumas regras básicas de preparo:

• Embalagem adequada: caixa de papelão, mala-bike ou case rígido.
• Pedais removidos.
• Pneus murchos.
• Guidão alinhado ou dobrado para reduzir o volume.

As taxas variam conforme a empresa e o destino, e o limite de peso costuma ficar entre 23 kg e 32 kg. Em voos nacionais, a taxa pode girar em torno de R$ 195 a R$ 250, dependendo da companhia. Já nos internacionais, o valor sobe.

Importante: bicicletas elétricas têm restrições severas. Por conta da bateria de lítio, muitas companhias não permitem o transporte da e-bike como bagagem despachada.

Planejamento é amigo do ciclista – Levar a bicicleta para outra cidade, estado ou país é totalmente possível, mas exige atenção aos detalhes:

• Leia a política da empresa de transporte.
• Embale a bicicleta com cuidado para evitar danos.
• Reserve espaço e chegue cedo ao embarque.
• Considere adquirir um case rígido se viajar com frequência.

Agora, para os ciclistas que desejam transportar suas bicicletas em veículos, seja na traseira ou no teto, é fundamental estar atento às regras de trânsito para garantir a segurança e evitar multas. No transporte traseiro, a bicicleta nunca pode exceder a largura do veículo, incluindo os retrovisores, e não deve se projetar excessivamente para trás. É crucial que a placa e todas as luzes de sinalização estejam visíveis; caso contrário, o uso de uma segunda placa e um sistema de iluminação suplementar homologados é obrigatório. Já para o transporte no teto, a atenção se volta para a altura total do veículo com a carga, que não pode exceder 4,40 metros, e a bicicleta deve permanecer dentro dos limites de largura e sem projeção frontal. Em ambos os casos, a fixação segura é inegociável, e o descumprimento dessas normas pode resultar em infrações graves, com multas e retenção do veículo.

Compreender e respeitar as regras, seja transportando sua bicicleta ou pedalando pelas vias, é o alicerce para uma experiência ciclística segura e prazerosa. Desde a correta sinalização e dimensionamento dos suportes no carro até o uso consciente das ciclovias e a sinalização manual no trânsito, cada detalhe contribui para a harmonia entre ciclistas, motoristas e pedestres. É importante estar atento à sinalização local. Certos trechos de vias, pontes, túneis ou viadutos podem ter restrições específicas para bicicletas, geralmente indicadas por placas de “Proibido o trânsito de bicicletas”. Nessas situações, o ciclista deve respeitar a proibição e buscar rotas alternativas. Ao adotarmos essas práticas, não apenas evitamos contratempos legais, mas principalmente cultivamos um ambiente mais seguro para todos, permitindo que a paixão por pedalar floresça com responsabilidade em cada trajeto.

A bicicleta é mais do que um meio de transporte: é parte da experiência e da liberdade que buscamos ao pedalar. E, quando planejamos bem, ela nos acompanha sem perrengues, do asfalto de Cotia às estradas e trilhas do mundo.

*Manoel Lopes é autor de Na Trilha dos Deuses, livro que narra a jornada de um ciclista em busca da sustentabilidade, promovendo a conscientização ambiental e práticas mais responsáveis no cotidiano. Como escritor e colunista, se destaca em Cotia, influenciando positivamente a comunidade e promovendo uma cidade mais sustentável e conectada com questões ambientais. Escreve semanalmente no Jornal Cotia Agora.