Coluna de Marilena Silva Name: Clonagem à luz do espiritismo
Como espíritas, podemos considerar que o conhecimento científico não para de se expandir, e a cada nova descoberta, podem tornar incompletas as opiniões que hoje consideramos perfeitas. Esse entendimento é baseado no nosso aprendizado diário e na lógica que os princípios da Doutrina nos oferecem.
Assim questionamos:
É possível clonar uma pessoa, ou seja, corpo e espírito? A resposta é não. A ciência já demonstrou que é possível clonar ou reproduzir um corpo como é o caso da ovelha Dolly, mas mesmo que chegue à clonagem humana jamais poderá clonar o Espírito.
Não temos todas as respostas acerca da essência do Espírito Imortal e sua composição, mas temos a certeza de que ele não é fruto de criação humana. O corpo, esse veículo material do qual nos servimos para a experiencia na Terra, se desenvolve a partir da soma do material genético de um pai e uma mãe, e está sujeito a um período de desenvolvimento, maturidade, decadência e decomposição.
Figurativamente, assim como o mergulhador faz uso de equipamentos por um tempo no ambiente submarino, o corpo físico, desenvolvido a partir de componentes densos, permite que o Espírito encarnado se manifeste e se relacione no ambiente material enquanto perdurar a vida.
O Espírito é único, existe antes da formação do corpo com o qual irá compor o homem encarnado e continua existindo consciente de si, após o desligamento do corpo no processo da morte.
Essa consciência é, aliás, uma das razões porque alguns Espíritos têm dificuldade de acreditar que já desencarnaram. Ainda não conhecemos completamente a composição do Espírito como dissemos acima, mas sabemos que não morre, é imperecível.
A Doutrina dos Espíritos nos alerta para o fato de que o Espírito é o ator e portador da cultura, ou seja, acumula memórias de vivências e convivências, de erros e acertos e de experiências cognitivas emocionais e psicomotoras.
Como o conhecimento está em contínua expansão e o Espírito é seu revelador e portador, podemos concluir que Ele é um ser em permanente evolução.
Somente por essas razões já se pode concluir que não tem como copiar parte de um processo e conseguir o todo. Em todo esse processo, a ética será apresentada para a genética.
Toda vez que um indivíduo fere a Lei Natural, a Lei de Deus, sofre-lhe o efeito. Vejam vosso ecossistema comprometido e a Terra sofrendo as consequências climáticas.
Segundo Divaldo Franco (um grande difulgador do Espiritismo no Brasil):
“A clonagem humana ainda é muito remota. Não nos deixemos empolgar com as notícias sensacionalistas que nos dão resultados de experiências muito válidas e respeitáveis, mas que ainda demorarão muito. É necessário que a nossa contribuição, do ponto de vista da confiança, esteja alicerçada na razão, e o Espírita em particular, com respeito aos demais religiosos, deve estar bem para não se deixar perturbar com facilidade por quaisquer ideias absurdas”
A clonagem é um fenômeno natural. Na salamandra, quando se lhe amputa a cauda ela se reconstrói completamente igual. Quando nos ferimos a pele se recompõe.
“Clone” significa ramo. Toda vez que retiramos um ramo da árvore ela repete a imagem inicial. Portanto, a clonagem é uma experiência muito digna do ponto de vista genético. Até chegarmos à construção de um ser humano “clonado” com personalidade, raciocínio, lucidez, devemos aguardar.
ONDE FICA O ESPÍRITO NESSE PROCESSO?
Devemos considerar como um avanço a fecundação “in vitro”, que substitui perfeitamente o organismo humano. Com relação à clonagem, a ciência e os governos deverão estar vigilantes para o uso que vai se fazer dela.
Alguns acreditam que podem interferir no gene, no DNA, e retirar a sensibilidade para fazerem indivíduos totalmente imunes à dor. Criarem um exército de homens e mulheres indiferentes ao sofrimento. Será possível, um dia repetir o homem em toda sua plenitude por meio de clonagem?
Somente quando a ciência conseguir meios que facultem a reencarnação, o Espírito se fará presente.
O Espiritismo é a ciência dos fatos. Allan Kardec disse textualmente: “À ciência cabe a tarefa dos fenômenos científicos, o Espiritismo não se envolverá nesse processo. O Espiritismo aceita tudo o que a ciência comprova, mas não se detém onde a ciência para. O Espiritismo estuda as causas enquanto a ciência estuda os fenômenos.
No dia em que a ciência provar que os Espíritos estão errados num ponto que seja, abandonaremos esse ponto e seguiremos a ciência”.
É uma Doutrina, portanto, profundamente vinculada à pesquisa, à investigação, à ciência, através de seu trabalho intérmino para o processo da evolução.
Até onde sabemos através da Espiritualidade Superior, não se acredita a possibilidade da clonagem de um ser humano, dando-lhe personalidade, lucidez, inteligência.
Fontes: Revista Presença Espírita – artigo de Miguel Saidano.
Jornal Mundo Espírita.
Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (baseado no texto de Paulo Henrique Widderolff).
*Espaço gentilmente cedido pelo nosso colunista Lúcio Cândido Rosa para a expositora espírita Marilena Silva Name.
