Coluna de Rafael Oliveira: The Black Keys – Ohio Players, um retorno às raízes com fôlego novo
Lançado em 2024, Ohio Players é o 12º álbum de estúdio da dupla norte-americana The Black Keys — Dan Auerbach (vocal/guitarra) e Patrick Carney (bateria). O disco marca uma espécie de reenergização criativa da banda, reunindo uma série de colaborações com nomes como Beck, Noel Gallagher (ex-Oasis), Dan the Automator e Greg Kurstin. Mais do que um título sugestivo, Ohio Players é um álbum que celebra a identidade da dupla como músicos de Ohio e sua trajetória no blues-rock com uma estética mais aberta, pop e até psicodélica.
O nome do álbum presta homenagem à lendária banda de funk dos anos 70 “Ohio Players”, mas também funciona como um aceno à versatilidade e ao espírito coletivo que permeia o trabalho. Diferente dos projetos mais solitários do passado, aqui a banda abre espaço para experimentar com produtores e artistas diversos — e isso soa revigorante. A produção é polida, os riffs são cativantes e o groove está em evidência, mas ainda há espaço para a crueza característica da dupla.
Faixa a Faixa – A Experiência Auditiva:
Beautiful People (Stay High) – Com uma pegada irresistivelmente pop e refrão grudento, essa faixa de abertura — coescrita com Beck — é o cartão de visitas perfeito do álbum. Um hino de positividade envolto em batidas retrô e synths que evocam um verão nostálgico.
On The Game – Mais direta e roqueira, traz um riff clássico de Auerbach com groove bem marcado. A influência de Gallagher é notável aqui, tanto na melodia quanto na atitude. É como se os Black Keys encontrassem os anos 90 em uma garagem.
Only Love Matters – Um soul moderno com uma camada psicodélica elegante. O falsete de Auerbach brilha e dá à canção uma suavidade sensual, sem deixar de ser ousada. Um ponto de calmaria e beleza no início do álbum.
Candy and Her Friends – Mistura de pop psicodélico e R&B vintage. Beck novamente aparece como coautor, e a faixa tem uma estética lúdica, quase cinematográfica, que remete a trilhas sonoras dos anos 70.
I Forgot to Be Your Lover – Um cover de William Bell que ganha contornos modernos, mas mantém o espírito soul intacto. Os Black Keys fazem justiça à original com uma interpretação emotiva e um instrumental bem encaixado.
Please Me (Till I’m Satisfied) – Uma das faixas mais sensuais e groovadas do disco. Baixo pulsante, vocais sujos e refrão provocante criam um clima quente e noturno. Uma ode ao prazer com classe e ousadia.
You’ll Pay – Aqui o clima muda. A faixa traz uma pegada mais obscura e intensa, com riffs densos e um refrão ameaçador. Carrega uma energia à la “El Camino”, mas com uma abordagem mais dramática.
Paper Crown – Uma balada melancólica que mostra o lado mais vulnerável da banda. Letras introspectivas, arranjo minimalista e vocal cheio de sentimento. Uma das canções mais tocantes do disco.
Live Till I Die – Voltamos ao espírito libertário do álbum. Uma faixa leve, com batida ensolarada e mensagem sobre aproveitar a vida ao máximo. Tem cara de estrada, de liberdade — e funciona como um sopro de ar fresco.
Read Em and Weep – Rock com influência de glam e psicodelia. A guitarra entra em destaque com riffs sujos e cheios de atitude. A faixa é como uma jam session controlada, divertida e cheia de personalidade.
Fever Tree – Clima misterioso e ritmo hipnótico. Um groove soturno que cresce aos poucos, com vocais processados e uma ambientação quase cinematográfica. Uma faixa que convida à contemplação.
Every Time You Leave – Fechando o disco, essa faixa é uma despedida elegante e emocional. Violões suaves, vocais com eco e uma melodia que fica na cabeça. Um encerramento introspectivo e bonito.
A melhor música do disco Ohio Players dos The Black Keys é “Beautiful People (Stay High)” — a mais vibrante, bem produzida e memorável do álbum, com grande destaque entre fãs e crítica.
Eu escolho para fazer parte da setlist do Programa Garimpo da Rádio Meteleco – https://meteleco.net – semanalmente exibido às 16hs de segundas as sextas-feiras.
Ohio Players é um disco que mostra os Black Keys relaxados, confiantes e abertos a novas possibilidades. Ele não reinventa a roda, mas aprimora a fórmula que consagrou a dupla, enquanto experimenta com novas texturas e colaborações. É um álbum que celebra o espírito da banda, o amor pela música e a arte de se reinventar sem perder a essência.
Um disco para ouvir inteiro — do início dançante ao final contemplativo — e descobrir nuances em cada repetição. Um dos melhores trabalhos dos Black Keys nos últimos anos.
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