ETA de Vargem Grande transforma lodo de tratamento de água em fertilizante
Uma rota nanotecnológica capaz de transformar o lodo de ETAs – Estações de Tratamento de Água em fertilizante de liberação lenta foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Sabesp. Por meio de processo hidrotérmico, a inovação neutraliza o alumínio tóxico do resíduo e incorpora nutrientes como nitrogênio e potássio. O processo converte em insumo agrícola um passivo ambiental que representa um desafio logístico e financeiro para empresas de saneamento. A pesquisa foi desenvolvida na ETA Vargem Grande Paulista.
O aproveitamento do lodo de ETA é limitado por características como composição variável, baixo teor de matéria orgânica e, principalmente, elevados teores de sais de alumínio. A tecnologia desenvolvida busca superar essas limitações e possibilita que o fertilizante, produzido na forma de grânulos, atue como veículo para microrganismos benéficos às plantas.
Com resultados positivos obtidos em laboratório e em casa de vegetação, o próximo passo é prospectar empresas para estruturar um projeto-piloto industrial e avaliar a produção em maior escala, integrando fertilização e proteção biológica.
Segundo Marco Barros, diretor corporativo de Produção de Água, Tratamento de Esgoto e Manutenção Estratégica da Sabesp, um dos desafios da companhia é encontrar alternativas sustentáveis para o aproveitamento desse material e reduzir sua destinação a aterros sanitários. “A pesquisa desenvolvida na ETA Vargem Grande Paulista, em parceria com a Embrapa, segue nessa direção”, diz o diretor.
Resíduo tóxico se transforma em insumo para plantas
Diferentemente do lodo de esgoto gerado nas estações de tratamento de efluente (ETEs), que apresenta elevada matéria orgânica e já vem sendo estudado para uso agrícola, o lodo de ETA possui baixa carga orgânica e elevada concentração de sais de alumínio provenientes dos coagulantes utilizados no tratamento da água. Segundo o coordenador do projeto na Embrapa Instrumentação, Caue Ribeiro, o alumínio livre pode ser tóxico às plantas e prejudicar o desenvolvimento das raízes e a absorção de nutrientes, como o fósforo.
“A tecnologia desenvolvida transforma esse resíduo em matéria-prima para insumos agrícolas, agregando valor a um material que tradicionalmente representa custos de manejo e de descarte, com potencial para aumentar a eficiência do uso de nutrientes”, diz Ribeiro.
Geração e destinação do lodo pela Sabesp
A Sabesp gera cerca de 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano nas 208 ETAs que operam no estado. O transporte, realizado principalmente por caminhões, pode chegar a 16 viagens diárias nas maiores unidades, e o custo médio de transporte e destinação é de aproximadamente 300 reais por tonelada.
Segundo Marco Barros, da Sabesp, um dos desafios da companhia é encontrar alternativas sustentáveis para o aproveitamento desse material e reduzir sua destinação a aterros sanitários. “A pesquisa desenvolvida na ETA Vargem Grande Paulista, em parceria com a Embrapa, segue nessa direção”, diz o diretor.
Segundo ele, a expectativa é consolidar uma alternativa aplicável também a outras estações com características semelhantes. Entre as próximas etapas, Barros aponta a validação agronômica em campo e os procedimentos necessários para eventual registro do produto no Ministério da Agricultura e Pecuária.
Rota de conversão
Os pesquisadores desenvolveram uma rota de conversão hidrotérmica para produzir concentrados zeolíticos – minerais compostos de silício e alumínio – a partir do lodo de ETA. O material obtido é utilizado na formulação de grânulos fertilizantes, combinados com amido plastificado com ureia, para formar um fertilizante de nitrogênio e de potássio de liberação lenta. O processo ocorre em autoclave, sob condições controladas de temperatura e pressão.
Segundo a pesquisadora de pós-doutorado Raquel Machado, o tratamento reorganiza as partículas do resíduo, formando cristais de sodalita, um tipo de zeólita. Esse material retém o alumínio em suas estruturas, reduzindo a possibilidade de ele ser liberado no ambiente. Com isso, o insumo pode se tornar adequado à aplicação em lavouras.
A sodalita também pode ser utilizada na recuperação de potássio presente em digestatos (efluentes) da suinocultura. O grânulo fertilizante incorpora o nitrogênio e o potássio em sua matriz, com alta resistência física e biodegradação gradual no solo, transformando o resíduo em uma fonte rica desses macronutrientes essenciais às plantas.
Da Embrapa – Matéria completa:
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/149202216/lodo-de-tratamento-de-agua-vira-fertilizante-de-liberacao-lenta-em-parceria-embrapa-sabesp
